Economia
D�lar quebra novo recorde e fecha a R$ 2,90

São Paulo - No dia do aniversário de oito anos do Plano Real, ontem, o dólar voltou a fechar com cotação recorde. A moeda norte-americana subiu 2,84% e fechou valendo R$ 2,90, na máxima de alta do dia. O risco-país do Brasil, medido pelo JP Morgan, voltou a subir. Fechou com alta de 4,7%, a 1.598 pontos. Manteve-se como o terceiro maior do mundo. O indicador mede a probabilidade de um país dar calote no pagamento de sua dívida externa. ?O dólar subiu no vazio?, avalia Helio Osaki, analista da Finambras. No jargão do mercado, ?subir no vazio? significa que não houve nenhuma forte notícia capaz de justificar o comportamento da cotação. Ou seja, foi mais um dia de forte especulação. O mercado continua com baixa liquidez. O número de negócios é reduzido, ao mesmo tempo em que a procura pela moeda norte-americana supera a oferta. Ou seja, há mais gente querendo comprar do que vender dólares. Isso acaba travando os negócios e faz com que qualquer transação, por menor que seja, tenha forte impacto no fechamento. A procura cresce devido às incertezas sobre o futuro do cenário político brasileiro. Além disso, após escândalos financeiros envolvendo companhias americanas, como Enron e WorldCom, há um mal-estar geral nos mercados mundiais. A tendência entre os investidores pelo mundo é fugir de aplicações muito voláteis ou consideradas como de alto risco. Nos EUA, hoje, as Bolsas caíram forte, o que definiu a baixa de 2,21% da Bovespa. ?Os investidores têm deixado os papéis norte-americanos e migrado para os europeus?, afirma Álvaro Bandeira, da corretora Àgora Sênior. ?No caso dos investimentos em emergentes, os recursos têm deixado a América Latina e caminhado para a Ásia.? Internamente, no Brasil, a melhor forma encontrada pelos investidores para se proteger da volatilidade é comprar dólares. É o chamado porto seguro -acalma os investidores ter um ativo real em mãos. Em especial diante das recentes perdas nos fundos de investimento, após a marcação a mercado determinada pelo BC. A avaliação no mercado é que, até a definição do cenário eleitoral, o dia-a-dia das cotações será de sobe-e-desce.