Economia
BC volta a intervir no mercado de c�mbio
Brasília - Para tentar acalmar os investidores e frear a desvalorização do real, o Banco Central retomou, ontem, até o fim do mês, a venda diária de dólares ao mercado. Inicialmente, a venda será de US$ 1,5 bilhão em julho. Esse procedimento estava suspenso desde o final de dezembro. Ontem foram vendidos US$ 100 milhões, valor que irá se repetir amanhã e sexta. A partir da semana que vem, as vendas serão de US$ 50 milhões por dia. O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que a decisão tem por objetivo dar mais liquidez ao mercado de câmbio, que vem registrando poucos negócios nos últimos dias. ?Não temos a intenção de interferir na taxa de câmbio?, afirmou. Essas vendas poderão ser feitas de duas maneiras: por meio de leilões de linha externa e de intervenções diretas. No leilão, o BC vende os dólares aos bancos, que se comprometem a revendê-los de volta ao próprio BC num prazo preestabelecido - foi por esse mecanismo que o BC vendeu os US$ 100 milhões de ontem. Na intervenção direta não existe esse compromisso de revenda, ou seja, a venda feita pelo BC é definitiva. Ansiedade Figueiredo voltou a citar a proximidade das eleições como o principal fator de nervosismo do mercado, que fez o dólar atingir níveis recordes. Ele afirmou que essa ansiedade é exagerada. ?As cotações não condizem com os fundamentos que nós temos hoje nem com os fundamentos que teremos após as eleições?. O BC deve gastar US$ 1,2 bilhão com as vendas diárias previstas para este mês. Se considerados os US$ 300 milhões que já haviam sido vendidos aos bancos por meio de um leilão de linha externa na última segunda-feira, subirá para US$ 1,5 bilhão o total de recursos que será colocado no mercado neste mês. Além disso, o BC irá vender US$ 320 milhões para renovar vencimentos referentes a leilões de linha externa feitos em junho. Figueiredo disse, porém, que o BC pode fazer intervenções extraordinárias acima desses valores. Há um ano, o BC já havia tomado decisão semelhante à anunciada ontem. Em julho de 2001, para tentar impedir a alta do dólar, a instituição começou a vender US$ 50 milhões por dia ao mercado. As vendas duraram até o final do ano e somaram US$ 6 bilhões. A diferença é que, naquela ocasião, as vendas foram feitas somente por meio de intervenções diretas, e não por leilões de linha externa. Figueiredo afirmou que o BC decidiu oferecer dólares por meio de leilões de linha externa por perceber que muitos bancos estavam tendo dificuldades em obter empréstimos externos de curto prazo para financiar suas operações do dia-a-dia.