Juros
Lula critica manutenção da Selic e autonomia do BC: “Pra servir quem?”
Segundo Lula, Campos Neto tem mesma autonomia que, em mandatos anteriores, Henrique Meirelles teve
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou, nesta quinta-feira (20/6), a autonomia no Banco Central do Brasil (BC). Nos últimos dias, o petista teceu criticas à postura do presidente do BC, Roberto Campos Neto. É a segunda vez que o chefe do Executivo sobe o tom contra Campos Neto nesta semana.
Na terça-feira (18), o presidente fez duras críticas a Campos Neto. Em entrevista concedida à rádio CBN, o mandatário disse que o comportamento da autoridade monetária está “desajustada” e que seu comandante não demonstra “nenhuma capacidade de autonomia”, mas “lado político” e um esforço em “prejudicar o país”.
“Nós só temos uma coisa no Brasil desajustada nesse instante: o comportamento do Banco Central. Essa é uma coisa desajustada. Um presidente do Banco Central que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar do que para ajudar o país. Porque não tem explicação a taxa de juros do jeito que está”, afirmou.
Nesta quinta-feira, Lula criticou a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 10,5% ao ano.
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Na entrevista de ontem, ele também voltou a questionar a autonomia do BC. “Autonomia de quem? Autonomia para servir quem? Autonomia para atender quem?”, questionou Lula. Ele tem dito que Campos Neto tem viés político.
“O presidente da República nunca se mete nas decisões do Copom ou do Banco Central. O [ex-presidente do BC Henrique] Meirelles tinha autonomia comigo tanto quanto tem esse rapaz de hoje. Só que o Meirelles eu tinha o poder de tirar, como o Fernando Henrique Cardoso tirou tantos, como outros presidentes tiraram tantos”, disse Lula, em entrevista à rádio Verdinha, de Fortaleza (CE).
A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) foi unânime. Todos, incluindo os conselheiros indicados por Lula, votaram pela manutenção da taxa. A decisão interrompeu um ciclo de quedas da Selic desde agosto de 2023: foram sete reuniões seguidas, com redução de 13,75% para 10,5%, o que, para analistas, o discurso de Lula faz sentido.
“Foi uma pena, porque quem está perdendo com isso é o povo brasileiro. Porque, quanto mais a gente pagar de juros, menos temos dinheiro para investir aqui dentro. Não vejo mercado falar dos moradores de rua, catador de papel, desempregado. Eu não vejo o mercado falar das pessoas que necessitam do Estado.”
DÓLAR
As críticas do presidente repercutiram no mercado nesta quinta. O dólar inverteu o sinal negativo visto pela manhã e fechou em alta, a R$ 5,46, atingindo o maior valor registrado no governo Lula 3. Este também é o maior patamar desde julho de 2022, quando fechou em R$ 5,4977.
O movimento acompanhou o avanço da moeda no exterior, em dia de alta dos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) e veio à medida que investidores repercutiam novas falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).