Economia
Custo de insumos amea�a safra agr�cola
São Paulo, SP ? O avanço da próxima safra brasileira de grãos, que atingiu neste ano 142,1 milhões de toneladas, está ameaçado pela forte pressão de custos do agronegócio, apesar da perspectiva de cotações firmes para commodities agrícolas nos próximos meses no mercado internacional por causa da escassez de alimentos. Só o preço do fertilizante em reais subiu 73% em 12 meses até abril e mais de 40% neste ano, segundo o Índice de Preços por Atacado (IPA) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Acompanhando a escalada dos grãos, as sementes também estão mais caras em relação à última safra. No caso do trigo, o aumento foi de 75%; no da soja e do arroz, em torno de 50% e, no do milho, de 43%, de acordo com a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). ### Milho passa por situação mais grave O quadro se torna mais grave no caso do milho, a nova estrela da safra brasileira, que consome muito mais fertilizante por hectare do que a soja. Paulo Roberto Molinari, economista da consultoria Safras & Mercado, calcula que possa ocorrer um redução de 5% na área plantada com milho na safra 2008/2009. Nessa projeção, ele considera o bom desempenho da safrinha que será colhida em meados do ano e o peso do gasto com insumos, especialmente com fertilizantes. ?O cenário é incerto para a próxima safra?, observa o superintendente-técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta. Ele argumenta que, pelo quadro mundial de oferta e demanda de alimentos, há boas perspectivas para ampliar a área de produção. Mas o especialista pondera que ?o agricultor vai tomar um susto muito grande com os custos de produção?. ### Produtos são alvo de protecionismo Uma nova onda protecionista no mercado mundial de alimentos está se desenhando. Depois de vários países terem segurado recentemente as exportações de grãos, como arroz e trigo, para garantir o abastecimento interno diante da escassez de produtos, agora é a vez dos insumos, alerta o economista da MB Associados, Alexandre Mendonça de Barros. No mês passado, a China, maior consumidora de adubos, com 30% da demanda mundial, bloqueou as exportações de fertilizantes com tarifas. ///