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Cigarrinha pode reduzir safra de cana em 20%

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O programa Gazeta Rural, que vai ao ar na TV Gazeta, neste domingo, às 7h, mostrará uma reportagem com pesquisadores mexicanos que vieram até Alagoas em busca de solução para um problema que está consumindo mais de 50 mil hectares de pastagens no Golfo do México. Eles vieram conhecer a produção e utilização do fungo metarhizum, um poderoso inseticida natural contra a cigarrinha, uma praga bastante comum nos canaviais alagoanos. O inseto, segundo os técnicos, solta uma toxina que queima as folhas da cana e pode provocar sérios danos às plantações. A área atingida no Estado ultrapassa os 120 mil hectares. ?Estamos enfrentando uma das maiores pragas de cigarrinha de todos os tempos?, anuncia o agrônomo Edvaldo Tenório, que também é diretor-técnico da Asplana (Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas). A estimativa é de que a cigarrinha tenha atingido pelo menos 40% dos canaviais do Estado. ?As perdas são incalculáveis. Tudo vai depender do controle e do comportamento do clima?, completa Tenório. Danos totais Segundo o pesquisador Bartolomeu Carvalho, a cigarrinha pode até causar danos totais, dependendo da fase da lavoura. ?Quanto mais nova a cana, pior é a conseqüência.?, adverte. ?Este ano, tivemos uma incidência bem maior da praga por causa do excesso de umidade. O inverno chegou mais cedo e trouxe junto a cigarrinha?, justifica. Traduzir em números as perdas provocadas pela cigarrinha é difícil. Os técnicos, no entanto, trabalham com uma redução de safra de até 20%, levando em consideração também a incidência de outros fatores, a exemplo do ?flexamento? da cana. ?Não fosse a cigarrinha e a florescência dos canaviais, teríamos, certamente uma safra bem maior do que a última, estimada em 23 milhões de toneladas. Nas condições atuais, acredito que poderemos, no máximo, repetir a safra 2001/02?, analisa Tenório. Natural O combate à cigarrinha tem sido feito, até agora, basicamente através do controle biológico, com a pulverização de fungos nos canaviais. A média de aplicação é de um quilo de fungo por hectare. Para atender a demanda, os laboratórios do Estado aumentaram em mais de quatro vezes a produção do metarhizum nos últimos seis meses. Durante o mês junho, o laboratório da Asplana, considerado o maior do mundo nesse segmento, consumiu, diariamente, 600 quilos de arroz parboilizado para a produção do fungo. O arroz, explica Bartolomeu, é o meio de cultura do metarhizum, que é multiplicado em câmaras de baixa temperatura. ?No campo, o fungo parasita a cigarrinha e atua no seu controle com eficiência, dependendo da infestação da praga. Há casos, no entanto, em que é preciso usar o controle químico?, diz.

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