Economia
Economista aponta causas da queda do consumo em Alagoas
ROBERTO VILANOVA A falta de investimentos privados em projetos capazes de gerar taxas positivas, a ausência de investimentos públicos federais significativos e a crise fiscal estadual são as causas da estagnação econômica de Alagoas, segundo avaliação do economista Cícero Péricles, doutor em Economia e professor da Universidade Federal de Alagoas ? Ufal. Péricles denunciou a falta de uma política industrial para o Estado, ressaltando que todo investimento realizado nessa área, em Alagoas, decorre de projetos federais, como o Pronaf e o Proderal. ?Apesar de se falar muito em política industrial, na verdade, ela não existe. Quer um exemplo? Existem cinqüenta pequenas indústrias de laticínios no Estado que sobrevivem sem qualquer ajuda do poder público; não há assistência técnica, não há planos de expansão, não há nada?, completou. Derrocada O economista adiantou que as razões para a perda de poder aquisitivo em Alagoas, em relação ao Nordeste, são várias. No entanto, a principal delas é que a economia estadual não tem dinâmica capaz de gerar taxas maiores que as dos outros Estados e, dessa forma, compensar os anos perdidos da década de 1990, quando o Estado entrou em parafuso. ?Alagoas viveu o período áureo de sua economia nos anos 70 e 80, com a combinação de fortes investimentos na área química (Salgema), sucroalcooleira (Proalcool) e turismo (rede de hotéis) e a criação de infra-estrutura (estradas, telefonia, eletricidade, escolas, etc.). Esses investimentos, na maior parte das vezes federais, coincidiram, naquele tempo, com os preços elevados ou razoáveis dos produtos alagoanos de exportação ? fumo, açúcar e os derivados químicos, etc. Os anos 90, pelo contrário, são marcados pela ausência de investimentos privados e pela falta de obras do setor público, somados à queda de preços em alguns desses produtos da pauta de exportação?, explicou o economista. Péricles disse que nos anos 90 o setor químico não fez mais investimentos, Alagoas ficou sem perspectivas para criação de um pólo cloro-alcoolquímico, e a indústria sucroalcooleira completou o processo de modernização, mas já não pode mais crescer horizontalmente, como naqueles anos de 70 e 80. Essa impossibilidade levou os principais grupos empresariais alagoanos, do setor sucroalcooleiro, a investir em outros Estados, principalmente em Minas Gerais. ?Sem poder crescer horizontalmente, a indústria canavieira alagoana hoje exporta capital, principalmente para Minas Gerais, onde os grupos João Lyra, Carlos Lyra e Tércio Wanderley industrializam 40% da cana-de-açúcar e álcool. São elas: Delta, Ituana, Campo Florido, Volta Grande e Trialcool?, disse o economista, citando que a terra, mais barata e mais produtiva, é atrativo aos investimentos.