Economia
Alagoanos t�m o menor poder aquisitivo
ROBERTO VILANOVA No Balanço Anual editado pela Gazeta Mercantil, referente ao ano passado, Alagoas foi o único Estado do Nordeste a registrar queda no Índice de Potencial de Consumo (IPC). O balanço mostra a liquidez (dinheiro no bolso ou no banco) da região, concluindo que os alagoanos são os que têm menor poder de compra entre os nordestinos. Pela primeira vez, em dez anos, Alagoas registrou IPC negativo (-2,6%). Para o economista Cícero Péricles, Ph.D. em Economia e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), os números desfavoráveis não surpreendem. ?A economia alagoana estagnou. A década de 1990 foi perdida?, afirmou, mostrando em seguida as razões da estagnação, as principais delas a falta de política de desenvolvimento, a incapacidade do estado em atrair investimentos e a impossibilidade da expansão horizontal (terras) para o plantio da cana-de-açúcar. Os números O economista Cícero Péricles, autor de vários livros analisando o comportamento da economia alagoana, mostrou que a impossibilidade de se expandir horizontalmente levou os principais grupos do industriais do setor sucroalcooleiro a investirem em outros Estados, principalmente em Minas Gerais, onde a terra é mais barata, a produtividade é maior, além da distância para o mercado consumidor do Centro-Sul, que é menor. O Balanço Anual da Gazeta Mercantil comparou os números de Alagoas com os dados levantados na Paraíba e no Rio Grande do Norte, concluindo ter havido uma reversão de expectativas. ?Desde que a pesquisa do IPC foi realizada para o Balanço Anual, a tendência de Alagoas foi sempre de avançar pontos?, destacou o documento. Para o economista Cícero Péricles, os números negativos já eram esperados, considerando a estagnação econômica de Alagoas. ?Entre meados da década de 1970 e a década de 1980 foram realizados investimentos industriais e turísticos no Estado, mas a partir da década de 1990 esses investimentos sumiram?, salientou. Os números negativos de Alagoas contrastam com a expansão da Paraíba, onde o Balanço Anual identificou ? e registrou como surpresa ? o crescimento do poder de compra fora do eixo das capitais. O documento da Gazeta Mercantil destacou: ?Embora o poder de compra continue baseado nas capitais, fato comum em todo o Nordeste, João Pessoa surpreendentemente está abrindo espaço para outros municípios paraibanos. Possui atualmente 41% (poder de compra) do total do Estado (Paraíba), ante os 47% registrados no ano passado (2000) e os 55% de 1999?. ?Nas outras duas capitais (Maceió e Natal)? - de acordo ainda com o Balanço Anual ? ?a concentração continua: é maior em Maceió, onde está 62,01% (poder de compra) de todo o consumo alagoano, ante 63% do ano passado (2000). E Natal detém 60,98% do poder de compra potiguar, praticamente a mesma taxa dos anos anteriores, 60% em 2000 e 61% em 1999?. Três cidades concentram 70% do poder de compra O poder de compra dos alagoanos está concentrado praticamente em três cidades ? Maceió, Arapiraca e Delmiro Gouveia, que detêm 70% da liquidez do Estado. Essas três cidades somam uma população de 1 milhão 26 mil e 764 habitantes; os 30% restantes para o poder de consumo dos alagoanos estão divididos entre as 98 cidades, que somam 1 milhão 818 mil e 148 habitantes. Os alagoanos gastam por ano, entre consumo e investimentos, 6 bilhões e 400 milhões de reais; os potiguares, 8 bilhões e 700 milhões de reais e os paraibanos 14 milhões e 300 milhões de reais. Esses valores se referem aos gastos com produtos (alimentação, educação, vestuário, etc.) e bens duráveis (geladeira, televisão, carros, casas, etc.) e são traduzidos no Índice de Potencial de Consumo ?IPC. O Balanço Anual cita que a Paraíba, com uma economia fortemente baseada nos serviços (comércio, turismo, etc.) responsáveis por 63,5% do Produto Interno Bruto ? PIB ? paraibano, vem registrando municípios emergentes, como Campina Grande, ?cujo centro de tecnologia já é páreo para pólos importantes do interior de São Paulo, como Campinas?. (RV)