Economia
Plano Real aumentou desemprego, diz Dieese
Não é à toa que muitos economistas vêem o desemprego como o maior problema gerado pelo Plano Real. Se por um lado a nova moeda conseguiu conter os índices inflacionários, segundo dados do governo, por outro, aumentou a taxa de desemprego. No primeiro ano do Real, esse índice era de 14,2%. Em 2002 se situa em 20,4%. A taxa média de desemprego nos oito anos do Plano Real foi de 17%. Segundo dados divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), por meio do escritório do Paraná, a renda do trabalhador brasileiro teve crescimento até 1997 em função da queda dos índices inflacionários. Mas, a partir de 1998, o impacto da queda da inflação se esgotou, e o ganho do trabalhador caiu. De acordo com o supervisor técnico do Dieese/PR, Cid Cordeiro, o Plano Real teve como grande mérito o combate da inflação, mas a alta das taxas de juros afetou seriamente o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas no País, e se refletiu no nível de emprego. Em 1994, primeiro ano do Plano Real, o PIB do Brasil teve incremento de 5,85%, caindo para 4,22% em 95, 2,66% em 96, voltando a subir para 3,27% em 97. Em 1998 o crescimento foi de apenas 0,13%. Em 1999, ano da desvalorização do real, o PIB cresceu 0,81%. Um novo salto (4,36%) ocorreu em 2000, mas caiu para 1,51% em 2001. Outro ponto preocupante citado por Cid Cordeiro nos oito anos do real, cujo aniversário acontece no início de julho, foi a dívida interna em relação ao PIB. Em 1994 a proporção era de 30%. Hoje este percentual é de 56%, aumentando cada vez mais o chamado Risco-Brasil. A dívida externa brasileira em oito anos aumentou de US$ 148 bilhões para US$ 226 bilhões.