Economia
Usinas amargam queda no faturamento
Mais álcool, menos açúcar. Esse será o tom da safra de cana-de-açúcar 2008/2009 em Alagoas e no Nordeste. De olho no mercado, as agroindústrias canavieiras traçam novas estratégias e vão anunciar até o fim de agosto um plano de safra regional. A meta do setor industrial é assegurar o abastecimento e evitar fortes oscilações de preços, especialmente do álcool hidratado. A novidade foi anunciada pelo presidente do Sindaçúcar-AL (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas), Pedro Robério Nogueira durante encontro com jornalistas do Estado para a avaliação da safra 2007/2008. ### Açúcar começa recuperação de perdas reais Segundo levantamento do Sindaçúcar-AL o açúcar VHP, de exportação, está cotado atualmente acima de 14 centavos de dólar por libra peso, o que projeta um valor de R$ 450 por tonelada do produto. ?Na safra que está terminando, a tonelada do VHP foi comercializada em média por R$ 380. A recuperação de preços deve beneficiar toda a cadeia produtiva, especialmente os fornecedores de cana?, diz o presidente da entidade. ### Sobrecarga tributária força exportação A alíquota de ICMS que incide sobre o álcool em Alagoas, de 26%, uma das maiores do País, derruba a competitividade da agroindústria canavieira do Estado no mercado nacional. Nos últimos dez anos, o combustível produzido em Alagoas foi perdendo espaço e hoje só abastece Estados do Nordeste no período da entressafra. ?Há dez anos, Alagoas abastecia o mercado da Bahia até a região Norte. Hoje a Bahia é abastecida por São Paulo e Minas Gerais e o Norte por Mato Grosso e Goiás. Não conseguimos sequer abastecer estados vizinhos por conta das alíquotas diferenciadas do ICMS. Em Pernambuco, o imposto é quase zero, na Bahia é zero, na Paraíba e Rio Grande do Norte, também é zero. Aqui, o ICMS é de 26%. Nesse cenário, a melhor saída são os porões dos navios?, avalia o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira. ### Capital estrangeiro começa a investir no etanol brasileiro | PATRÍCIA CANÇADO - Agência Estado São Paulo, SP ? O bilionário inglês Richard Branson, controlador do grupo Virgin ? que, entre outros negócios, tem uma companhia aérea e uma gravadora ?, enviou dois de seus homens de confiança ao Brasil na semana passada para analisar de perto o mercado de etanol. Na agenda do belga Dimitri Pauwels e do americano Brett Lund há uma lista ?secreta? de usineiros com quem pretendem negociar uma parceria, que pode ser fechada nos próximos meses. Branson é um dos principais sócios da Gevo, empresa de biotecnologia criada há quatro anos nos Estados Unidos e que desenvolveu uma tecnologia de produção de isobutanol, também chamado de etanol de segunda geração. Em vez de usar enzimas para catalisar o processo, ela produz o combustível com microorganismos geneticamente modificados. /// Cana-de-açúcar: o setor em Alagoas comemora safra recorde, mas amarga prejuízo nos lucros. Foto: José Feitosa ? Arquivo GA