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Aumentos sucessivos da gasolina geram maior procura por etanol em Al

Em Alagoas, um dos principais estados produtores de etanol do Nordeste, a maior oferta do biocombustível atraiu consumidores

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Foto:@Ailton Cruz
Foto:@Ailton Cruz | Foto: Ailton Cruz

Um balanço da venda de combustível mostra como o etanol cresceu na preferência dos alagoanos nos últimos anos. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostrou que em 2024 o abastecimento com álcool em Alagoas cresceu 30,88%, bem acima da gasolina, que registrou no período o percentual 3,94%. A Gazeta ouviu representantes do setor, que analisaram os dados apresentados pela ANP.

Sobre o tema, o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) e do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Alagoas (Sindicombustíveis) James Thorp Neto reforçou que, no ano passado, as vendas de etanol hidratado cresceram em todo o país. E que, segundo dados da ANP, a comercialização desse combustível no ano passado atingiu 21,66 bilhões de litros, um aumento de 33,4%.

Em Alagoas, um dos principais estados produtores de etanol do Nordeste, a maior oferta do biocombustível atraiu consumidores em busca de preços mais baixos em comparação à gasolina, avalia Thorp.

“No entanto, nem sempre o consumidor considera a relação de paridade entre os dois combustíveis para avaliar a viabilidade econômica. O etanol só é financeiramente vantajoso quando seu preço representa até 70% do preço da gasolina, devido à sua menor eficiência energética”, lembra.

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A Gazeta pergunta se o empresário James Thorp acredita que o brasileiro está, de fato, optando pelo álcool por causa do preço da gasolina e se o crescimento da venda desse combustível é momentânea. “Não podemos afirmar essa frase com certeza, mas, com base em nossa experiência, o consumidor tende a abastecer com o combustível que melhor se encaixa no seu orçamento”.

De acordo com o empresário, há muitas variáveis a serem consideradas na demanda por etanol, que influenciam tanto o preço, quanto a oferta do produto ao consumidor final. “Entre elas, destacam-se o volume da safra e os problemas climáticos, que podem reduzir a colheita e elevar os preços. Além disso, o preço do açúcar no mercado internacional também é um fator relevante, já que o Brasil exporta o produto, e os usineiros podem optar por uma safra mais voltada para a produção de açúcar ou etanol, dependendo da rentabilidade, entre outros fatores”, destaca James Thorp Neto.

Consumo reprimido

Falando em nome da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) – entidade que reúne 36 usinas e destilarias de etanol do Norte e do Nordeste – o presidente-executivo Renato Cunha conta que o consumo do etanol hidratado cresceu no país por alguns fatores, mas especialmente, pela volatilidade do preço da gasolina.

“O que a gente chega a conclusão é que alguns fundamentos levaram ao aumento do consumo de hidratado no país. Primeiro, havia um consumo que ficou reprimido na época da pandemia e depois sucessivamente esse consumo foi subindo, inclusive porque o consumidor entendeu os níveis de paridade, de competitividade”, afirma o presidente-executivo da Novabio.

Renato Cunha confirma que o consumo do etanol hidratado no Brasil cresceu de 2023 para 2024 e que, para se ter uma ideia, alguns estados como Pernambuco passaram a registrar crescimento de 45%; a Paraíba 51% e Alagoas mais de 30%. No país como um todo o crescimento do hidratado cresceu cerca de 33% em média, de janeiro a dezembro do ano passado.

“Há um gosto do consumidor mais direcionado para o etanol hidratado que é um produto renovável e limpo que descarboniza o meio ambiente e obviamente tem que haver uma série histórica daqui pra frente e a gente tem que acompanhar o mercado, mas houve isso nos últimos dois anos e desde a época da pandemia tem havido essa volta sucessiva, em função também dessas volatilidades do preço da gasolina internacionalmente”, disse Cunha.

Troca vale a pena

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Estado de Alagoas (Asplana), Edgar Filho, acredita que o aumento da procura pelo etanol tem relação direta com o preço da gasolina. Ou seja, o consumidor descobriu que fazer a troca vale a pena.

“Eu acredito que essa venda tem crescido, do etanol, pela questão do preço da gasolina e o percentual que nós fazemos é de valer a pena se abastecer com etanol, que é aquela conta de 30% menos do que o preço da gasolina. Então, como o etanol está aí quase na faixa de 30% menor ou cerca de 26% ou 27% menor que o preço da gasolina, aí vale a pena em alguns casos abastecer com etanol. Eu acredito que isso é muito por conta de preço, realmente”, destaca Edgar Filho.

Na avaliação do presidente da Asplana, a troca da gasolina pelo etanol deve ser momentânea. “Porque tudo isso depende de mercado, de preço, de variação, tanto o etanol como a gasolina. E a gasolina principalmente porque tem as seguradas dos preços pelo governo federal. Então a depender das seguradas e da oscilação do preço da gasolina nesse percentual que varia aí de diferença de preço de 26 a 30% vale a pena se abastecer com etanol”, explica Edgar Filho.

Dados da ANP

De acordo com o painel da ANP, em 2024, a gasolina teve a variação de 3,94%, o diesel 4,01% e o etanol 3,88%. Nos últimos quatro anos – desde 2000 – o etanol apresentou queda em 2020 de 11,80%; de 3,19% em 2022 e 4,67% em 2023.

Segundo a ANP, em 2024, foram comercializados no Brasil 133,1 bilhões de litros de combustíveis líquidos automotivos. No caso da gasolina C (já com a mistura de etanol anidro), foram 44,19 bilhões de litros, uma redução de 4% com relação a 2023.

Já o etanol hidratado combustível teve 21,66 bilhões de litros em venda, um crescimento de 33,4%. Com relação ao diesel B (já com a mistura de biodiesel), foram comercializados 67,25 bilhões de litros, um aumento de 2,6% na comparação com o ano anterior.

Ainda segundo levantamento da ANP realizado junto aos postos de combustíveis das cidades brasileiras, em relação a semana de 9 a 15 de fevereiro, Maceió teve o preço médio de revenda da gasolina comum de R$ 6,36 o litro; gasolina aditivada R$ 6,58 e o etanol hidratado R$ 4,91.

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