AUMENTO DE PREÇOS
Índice de Consumo das Famílias fica estagnado em fevereiro, diz Fecomércio
Taxas de juros e inflação impactam diretamente no poder de compra das famílias em Maceió
O Índice de Consumo das Famílias (ICF) na capital alagoana ficou estagnado, com leve alta de 0,2% em comparação ao mês anterior. Isso é o que revela a pesquisa do Instituto Fecomércio AL e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que aponta ainda a percepção do maceioense em relação à renda atual que teve variação anual negativa de-13,9%.
De acordo com informações da Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio) na decomposição do ICF, a variação mensal apresentou desempenho negativo nos subíndices Emprego Atual (-1,2%), Renda Atual (-3,2%) e Perspectiva Profissional (-2,9%), mantendo-se positivo nos subíndices Acesso ao Crédito (1,9%), Nível de Consumo Atual (1,1%), Perspectiva de Consumo (3,1%) e Momento para Duráveis (6,5%).
No geral, segundo o índice, apesar de fevereiro ter apresentando um desempenho tímido para o consumo, como o subindicador de consumo atual marcou 92,2 pontos e variou positivamente no mês (1,1%) e no ano (9,8%), isto sinaliza melhora na percepção das famílias. Some-se a isso o fato de que a perspectiva de consumo também variou positivamente no mês (3,1%) e no ano (20,1%), o cenário para os próximos três meses pode ser de melhora significativa nas compras.
O índice aponta que, na comparação mensal, o consumo das famílias cresceu 0,18%, no total. No recorte por renda, as famílias que ganham até 10 salários-mínimos apresentaram aumento de 0,36% no consumo, enquanto nas com renda acima de 10 salários mínimos houve queda de -1,31% no indicador.
Caso Nayane: laudo do IML não encontra sinais de violência, mas investigação continua
Gari de 31 anos é morto a tiros no Vergel do Lago, em Maceió
Acidente mata agente comunitária de saúde em Palmeira dos Índios
Soluções defensivas do CRB - 30/07/2026
Datas das quartas de finais da Série D definidas - 30/07/2026
Na avaliação do economista e professor Renan Laurentino, com as taxas de juros mais altas e a inflação, o preço final fica mais elevado, sendo preciso desembolsar mais dinheiro para poder ter acesso ao que se tinha no ano passado. Isso tem impactado diretamente no poder de compra das famílias em Maceió.
“Vários são os fatores, lei da oferta e da demanda; outros gastos de início de ano como matrícula, IPVA e IPTU, fardamento e livros de quem têm filhos em idade escolar. Tudo isso acaba impactando e, claro, vêm mais salgados, ou seja, as famílias precisam desembolsar mais para poder ter acesso aquilo que é comum, do que é prioritário na sua subsistência enquanto família ou indivíduo que detêm a renda”, destaca Laurentino.
Sobre o aumento dos preços, o economista fala que é cedo falar em perspectivas para os próximos meses, já que tudo que está acontecendo no mercado internacional também interfere no mercado nacional, como as taxações impostas pelos Estados Unidos frente aos produtos brasileiros.
“A gente tem sofrido muito, está muito incerto ainda, mas os preços estão elevados principalmente em detrimento a essas questões climáticas, principalmente o preço dos produtos da cesta básica. Alguns têm tido uma queda, outros têm tido uma elevação, como é o exemplo do café como a gente tem acompanhado que está na entressafra e do ovo também que está num período de substituição de galinhas poedeiras”, cita Renan.
O economista acredita que há uma perspectiva de retração dos preços no segundo semestre, mas que isso vai depender de muitos fatores, inclusive, é preciso lembrar que o mundo é globalizado e tudo que está acontecendo no mercado internacional também interfere no mercado nacional.
“O mercado internacional também está muito incerto, iminências de conflitos impactam na economia local. Sobre a recuperação do consumo, de certo modo, a gente está com a taxa de desemprego menor, uma taxa de empregabilidade mais elevada, então, tem mais renda. Isso é uma perspectiva positiva, embora a inflação dos preços é uma realidade. Ter empregabilidade nos dá uma luz no fim do túnel, vamos esperar mais ações governamentais que possam dar mais base para pensarmos em perspectivas muito mais positivas”, conclui Renan Laurentino.
O desempenho negativo sugere que os salários atuais não estão acompanhando o custo de vida. “Com os juros pressionando o custo do crédito e os preços ao consumidor final, além da inflação de alimentos e o vazamento de renda via apostas on-line, o consumidor de Maceió está percebendo a corrosão de sua renda e ficando mais cauteloso em seus gastos, o que reflete ainda em um crescimento na propensão ao consumo, mas com um menor ímpeto”, analisa o assessor econômico do Instituto Fecomércio, Francisco Rosário.