Economia
Sertanejos tamb�m sofrem com energia solar
ROBERTO VILANOVA Ouro Branco e Maravilha ? Mais de duzentos agricultores que aderiram ao Projeto de Energia Solar já desistiram; os que permanecem se queixam da falta de assistência e de manutenção. ?Há mais de um ano que o técnico esteve aqui pela última vez. A gente telefona para o escritório e ninguém atende. Estamos abandonados?, desabafou dona Severina, coordenadora do projeto no Sítio Belém. Responsável pelo grupo de 30 pessoas ? o Projeto de Energia Solar é dividido em grupos ? ela já não tem mais desculpa para dar aos que vêm reclamar da falta de assistência. E lamenta: ?Quando foi para instalar o projeto, fizeram festa na minha casa. Agora me deixam sozinha, o povo reclamando na minha porta e eu sem uma explicação para dar?, desabafou, ainda se recuperando da cirurgia de vesícula. ?Para completar, sumiu mil reais da minha conta no banco em Santana (Ipanema)?, denunciou. Engano Na casa de dona Severina, a primeira a receber energia solar no Povoado Belém, não há mais luz artificial. Apenas as chamas do fogão ou do isqueiro, quando ela acende o cigarro, iluminam a casa grande. Revoltada, não pode mais assistir à novela no aparelho de televisão portátil ? único capaz de funcionar na potência de 12 volts. O que era ruim, ficou pior. O projeto de energia solar implantado no sertão alagoano tem potência ínfima, só permite a instalação de dois bicos de luz. Não há potência para geladeira, aparelho de som e televisão colorida. Mas sem luz, definitivamente, é pior e dona Severina se senta ultrajada. ?Fomos enganados. Eles enganaram a gente. Não é possível, a gente procura contato e não consegue, ninguém dá retorno?, desabafou, preocupada.