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Gasto com g�s de cozinha triplicou em seis anos

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POR NICOLA PAMPLONA A participação dos gastos com gás de cozinha no valor do salário mínimo triplicou nos últimos seis anos. Segundo relatório do Unibanco Research, baseado em números da distribuidora Ultragaz, o fim do subsídio e os sucessivos aumentos promovidos pela Petrobras este ano levaram o preço do gás liqüefeito de petróleo (GLP) a valer mais de 12% do salário mínimo, atualmente em R$ 200. Em 1996, diz o analista do banco Carlos Albano, o botijão de gás equivalia a 4% do salário. Só este ano, o preço do botijão de 13 quilos subiu 32,4% para o consumidor, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A conta não considera o último aumento, de 6,2%, anunciado no início do mês e ainda não captado pelas pesquisas do instituto. ?Com esse aumento, o botijão pode chegar a valer mais de 14% do salário mínimo?, calcula o supe-rintendente de relações institucionais do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), José Agostinho Simões. O produto se transformou no principal vilão da inflação deste ano, contribuindo com 0,43 ponto percentual na taxa acumulada do primeiro semestre, de 2,94%. Em julho, o combustível terá ainda um impacto de 0,10 ponto percentual no IPCA, usado como parâmetro para as metas de inflação do governo. A alta do gás tem impacto maior ainda para as famílias de baixa renda, cuja inflação, medida pelo INPC, foi de 0,61% em junho. Subsídio A extinção do subsídio direto ao GLP, no fim de 2001, proporcionou até agora um aumento de 63% no preço do produto vendido pela Petrobras. Os reflexos dos aumentos já preocupam as empresas distribuidoras: os volumes de venda vêm caindo, segundo o analista do Unibanco. ?Antes dos aumentos, as pessoas estocavam botijão de gás, o que não ocorre mais. Agora, todo mundo usa seu botijão até o fim para depois pensar em comprar outro?, afirma. De fato, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), os volumes vendidos no primeiro trimestre de 2002 ficaram 5% abaixo do verificado no mesmo período do ano anterior. As empresas reclamam da Petrobras pelo alto preço cobrado pelo produto e do governo pelo que consideram uma carga tributária injusta. A estatal, por sua vez, diz que mantém seus preços alinhados com a concorrência e que as importações do produto são liberadas para quem quiser fazê-las. Impacto O consumidor vem sentindo no bolso o impacto causado pelo fim do subsídio direto. A partir de janeiro, o governo decidiu que ajudaria apenas as famílias com rendimento até meio salário mínimo por pessoa e criou o vale-gás. Até junho, pouco mais de 6 milhões de famílias se habilitaram a receber o benefício, que já custou aos cofres públicos R$ 238,5 milhões, segundo o Ministério de Minas e Energia. O vale-gás está com o mesmo valor, de R$ 7,50 por mês, desde janeiro, e vem perdendo poder de compra. Ou seja, representava 34% do preço médio do botijão no início do ano. Na primeira semana de julho, antes do repasse do último aumento, já valia apenas 29% do valor pago pelo produto. O repasse ao consumidor do reajuste anunciado no início de julho deve reduzir novamente o valor relativo do vale-gás. Segundo o ministério, não há previsão de aumento no valor do benefício. ?Vai chegar um momento em que vão ter de reajustar o vale-gás?, avalia o professor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura. Pires, no entanto, defende o fim do subsídio. ?Voltar a subsidiar o GLP seria um retrocesso. O mercado tem de aprender a pagar o preço real do produto?, conclui.

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