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Crise bate � porta e assusta Alagoas

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Repouso e caldo de galinha não fazem mal a ninguém e são indicados para quem está convalescendo. Em tempos de economia mundial combalida, mais um conselho se junta às recomendações: cautela, muita cautela. O que há bem pouco tempo soava distante, como a quebradeira de instituições financeiras nos Estados Unidos e Europa, socorro trilionário de governos ao mercado financeiro e Bolsas de Valores despencando pelo mundo, aproximou-se perigosamente do cotidiano do brasileiro. Em Alagoas, o setor sucroalcooleiro, um dos pilares da economia do Estado, sente os efeitos do crédito cada vez mais apertado e tem dificuldade para exportar a produção; a preocupação no varejo é geral e o tema será pauta da próxima reunião da Câmara de Dirigentes Lojistas de Maceió (CDL). ### Roupa, comida e bens duráveis devem subir Luiz Antonio Cabral, economista e diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), diz que os efeitos da crise em Alagoas ?serão semelhantes aos causados na economia brasileira?. Cabral afirma ainda que os produtos importados devem subir de preço, o crédito ficará mais caro com a alta dos juros e a quantidade de prestações dos financiamentos deve diminuir. ?A população será afetada com a alta de produtos de consumo popular como roupas, remédios, gêneros alimentícios e bens de consumo duráveis, como automóveis, motocicletas, eletrodomésticos em geral, computadores e outros equipamentos de informática?, destaca o economista e professor da Universidade Federal de Alagoas. ### Usinas fazem ?dieta financeira? diante de crédito escasso Maior produtor nordestino de cana-de-açúcar, Alagoas exporta grande parte de sua produção para o mercado internacional e foi atingida em cheio pela escassez de crédito que atormenta as exportadoras brasileiras. De acordo com o diretor comercial da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas, José Ribeiro Toledo Filho, duas vertentes explicam a dificuldade do Estado em conseguir crédito para escoar a safra 2008/2009. ?A primeira é a interrupção do fluxo comercial, que dificulta o crédito; a segunda é o fluxo financeiro, cujas linhas internacionais como os Adiantamentos de Contrato de Câmbio estão obstruídas para todas as commodities do Brasil?. ### Produtos importados terão reajuste Como numa fileira de dominó, em que uma peça que cai vai derrubando as outras, os efeitos da crise econômica mundial vão fazendo vítimas por onde passam. A agricultura é afetada porque falta crédito para a entressafra, a indústria sofre para obter capital de giro e deixa de produzir a todo vapor, o setor exportador amarga estoques porque não dispõe de financiamentos suficientes para escoar seus produtos e o comércio varejista se prepara para enfrentar a falta de dinheiro justamente no melhor momento de vendas: as festas de fim de ano. ### Débito no cartão ?atola? consumidor E o consumidor, como fica nessa guerra de altos e baixos dos mercados? Os especialistas aconselham cautela. Cautela na hora de comprar, na hora de fazer um novo financiamento e, principalmente, quando o 13º for liberado. O economista Luiz Antonio Cabral sugere que o consumidor utilize o salário extra para quitar dívidas com cheque especial e cartão de crédito, como uma forma de evitar uma dívida maior num futuro próximo. Segundo Cabral, com a tendência de aumento nos juros, dívidas no cheque e cartão tendem a aumentar e poderão levar a situações difíceis para o devedor. ?Os empréstimos já contraídos e com prestações fixas, como o financiamento de veículos, não serão afetados, porém, novos financiamentos já irão custar mais caro, com juros mais altos e prazos menores?, salienta. ### Construção civil aposta em recuperação Na construção civil, apesar do ?momento de ansiedade e de muita expectativa?, o presidente do Sinduscon-AL e vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Marcus Holanda, não se deixa abater e até se mostra otimista diante da crise, que para ele ?é sinônimo de oportunidade?. ?O que estamos sentindo é que o Brasil vai se recuperar dessa crise. Essa ansiedade é natural, mas o mercado vai se ajustar, até porque a crise afeta as construtoras que têm ações na Bolsa. O setor é regulado basicamente pela caderneta de poupança e pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cujos recursos não estão relacionados ao mercado externo e, conseqüentemente, à crise. Para mim, crise vem e passa. É sinônimo de oportunidade, é bom para amadurecer o mercado. Essa crise, por exemplo, só comprova que investir em imóveis continua sendo o melhor negócio?, diz Holanda. ### Alagoanos estão no ?olho do furacão? Se a situação ?aperta? no Brasil, onde os reflexos da crise começam a ser percebidos, imagine do outro lado do Atlântico, na Europa, uma das regiões mais afetadas pela convulsão dos mercados. A Gazeta entrevistou alagoanos que moram atualmente em Portugal, para saber como está sendo a repercussão da crise por lá. O contabilista Cleiton Silva mora há quase quatro anos em Portugal. Ele conta que deixou o Brasil por falta de perspectivas em Alagoas e na profissão. Atualmente, Silva faz mestrado em Finanças no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa e trabalha na área comercial de um grupo empresarial privado. ?A minha vida não foi afetada diretamente com crise, contudo, vejo muitos profissionais em crise, tanto em termos de colocação na área de formação, como com a perda de poder de compra?, relata por e-mail. /// Operadores da Bolsa de Valores de São Paulo, que virou palco de desespero financeiro no País. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom ? ABr

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