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Economia

Consumo infantil movimenta R$ 50 bi

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Luana, Bruna e Raianna não resistem às roupas e bijuterias. Bianca gosta de maquiagem. Já Briane não esconde o amor pelos sapatos. Amigas, as meninas têm entre 13 e 15 anos e ajudam a engrossar o batalhão de crianças e adolescentes brasileiros que anualmente movimenta cerca de R$ 50 bilhões no consumo de calçados, alimentos, roupas, brinquedos, eletrônicos e propaganda. Um estudo da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), feito em 2006, mostra também que o mercado infantil cresce 14% ao ano no País, o dobro do avanço do mercado adulto. ### Publicidade para atrair público foi de R$ 209 mi Se de um lado há uma omissão dos pais com relação à educação dos filhos, por outro existem as tentadoras e apelativas peças publicitárias voltadas para esse público. De acordo com o consultor em Marketing Infantil Arnaldo Rabelo, em 2003 foram investidos R$ 65 milhões em publicidade destinada a crianças e adolescentes. Número que só cresceu e bateu os R$ 209 milhões em 2006. Para a professora universitária Christiane Coutheux Trindade, por estarem em formação, crianças e adolescentes ?não estão plenamente preparados para lidar com certos conteúdos, sentimentos e valores?, afirma e acrescenta: ?Se para nós já é difícil controlar impulsos consumistas, para esse público distinguir a necessidade do desejo e mesmo de um interesse fugaz é ainda mais complicado?. ### Menina é focada na marca; menino só quer brincar Nenhum outro setor remete tanto ao público infantil como o de brinquedos. E no Brasil o segmento vem em franco aquecimento. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), fundada em julho de 1985, mostram que em 2006 o faturamento total (produtos nacionais e importados) foi de R$ 1,678 bilhão, passando para R$ 2,234 bilhões em 2007 e com estimativa de chegar a R$ 2,512 bilhões este ano. Um aumento de 12,4%. Os brinquedos evoluíram e cada vez mais acompanham o desenvolvimento infantil. São coloridos, emitem sons e luzes, usam a mais alta tecnologia ou são singelos e conquistam os pequenos pelas inúmeras possibilidades lúdicas que despertam. Bonecas de pano e carrinhos de plástico costumam significar horas de diversão e aprendizado. ### Adolescentes seguem moda e amigas Alheias à discussão sobre a publicidade voltada para crianças e adolescentes, as primas Luana Lisboa (15) e Briane Pasini (13) e as amigas Bruna Albuquerque (15), Bianca Melo (14) e Raianna Alécio (14), que abriram essa reportagem, estão mais atentas às tendências da moda, a produtos eletrônicos e celulares. Estudando no mesmo colégio particular, as meninas têm rotinas parecidas e fazem parte do mesmo grupo social. Consumidoras confessas, elas recebem em média R$ 50 de mesada e são capazes de ?torrar? tudo em bijuterias, acessórios, maquiagem e todo tipo de quinquilharias ?fofas? que apareçam pela frente. Apesar disso, quando querem algo um pouco mais caro, elas garantem que conseguem juntar o dinheiro para comprar. Bianca suou, mas adquiriu o celular que tanto queria juntando daqui e dali os trocados da mesada. Briane sonha com uma máquina fotográfica, que acredita custar cerca de R$ 500 e comemora: ?Já tenho uns R$ 250!? ### Empresários acreditam em potencial de nicho Em Maceió, os investimentos no público infanto-juvenil não ficam restritos a lojas de roupa, calçados, brinquedos e alimentação. A empresária Ana Luiza Porto, 40, apostou em serviços de recreação e há seis anos mantém o Pip Pop. Clarissa Ricardo, 38, deixou a arquitetura de lado há três anos e se debruçou na criação de produtos de papel, dando origem a Personateen. Já os donos da franquia da Imaginarium acreditam na busca pelo diferente que move os adolescentes. Ana Luiza se orgulha das lojas de recreação e do bufê que levam o nome Pip Pop. Dona de uma loja de roupa feminina, ela resolveu mudar de ramo e se dedicar ao segmento que atende crianças e adolescentes. ?Tenho amigos em São Paulo que já trabalham no setor, então resolvi montar um bufê?, conta a empresária que há cerca de dois anos abriu o salão Pip Pop na Mangabeiras. /// Mundo lúdico dos brinquedos encanta crianças e até pais; indústria deve faturar R$ 2,5 bi. Foto: Maíra Villela

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