Economia
Novas ind�strias d�o f�lego a Alagoas
Ana Paula, 27, estava de malas prontas e coração partido por ter de deixar a família em Alagoas e tentar um emprego no Ceará. Uma semana antes da viagem para Fortaleza, onde iria trabalhar numa eletrônica, Ana Paula foi chamada para uma entrevista numa indústria que começaria a operar em Maceió. De desiludida por não ?arrumar um emprego por aqui?, a jovem passou a esperançosa quando viu se desenhar em seu futuro a perspectiva de permanecer em sua terra natal. Ela teria, pela primeira vez na vida, a carteira profissional assinada e não precisaria ir atrás de uma oportunidade em outro Estado. A data ficou gravada na memória: 25 de junho de 2008. Foi o primeiro dia de trabalho de Ana Paula de Lima Pereira como auxiliar de serviços gerais na indústria Mili S.A, instalada no distrito industrial de Maceió. ### Quatro segmentos industriais estão na mira do Estado Na lista dos novos 53 empreendimentos que devem aportar em Alagoas até 2010, destacam-se as indústrias do segmento de derivados de plástico e as do ramo hoteleiro. Mas há também empresas de bens de capital (máquinas e equipamentos), bebidas, higiene pessoal e alimentos. Os investimentos já declarados vão de R$ 373 mil a R$ 420 milhões. Além das diferentes áreas de atuação, as indústrias ficarão distribuídas em vários pontos do Estado. Os empreendimentos hoteleiros serão erguidos nos litorais Norte (Japaratinga, Maragogi e Passo do Camaragibe) e Sul (Barra de São Miguel e Coruripe) e também em Maceió. No distrito industrial da capital também serão instaladas algumas das novas empresas que chegam ao Estado. As demais irão para o Pólo Multifabril de Marechal Deodoro, para os distritos industriais de Arapiraca e Murici e ainda para os municípios de Rio Largo e Olho d?Água das Flores. ### Mudança de realidade deve demorar Mas que bons ventos trazem para Alagoas os cada vez mais anunciados empreendimentos? Em que esquina o Estado mudou de direção e começou a seguir um caminho que pode levar para um real desenvolvimento socioeconômico? Entusiasmado com o que chama de ?volta por cima? de um Estado desacreditado pelos investidores, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística de Alagoas, Luiz Otávio Gomes, tem na ponta da língua as respostas para estas indagações. Segundo o secretário, a palavra-chave é ?confiabilidade?. ?Nós fizemos o dever de casa. Preparamos a infra-estrutura para receber os investidores, cuidando dos distritos industriais e dos pólos; formamos uma equipe de profissionais para lidar com os executivos do setor privado; aprimoramos a lei de incentivos fiscais e creditícios, e implantamos o incentivo locacional (doação de terrenos). Feito isso, começamos a percorrer o País mostrando essa nova Alagoas. O governador Teotonio Vilela Filho nunca mediu esforços para visitar empresas e empresários e como um caixeiro viajante íamos vendendo Alagoas em feiras e eventos?, relata. ### Crise atrasa início de obras no litoral No meio do caminho dos investimentos tem uma crise. Uma crise financeira mundial que vem arrastando empresas e sacrificando empregos. Ela já deu as caras no Brasil e vem segurando algumas ampliações. Por precaução, os empresários resolveram esperar que a poeira abaixasse para voltar a investir. Em Alagoas, onde já foram anunciados pelo menos 53 empreendimentos até 2010, algumas empresas estão aguardando que o cenário econômico volte a ?clarear? para iniciar as obras. No caso do setor turístico, o incremento da alta temporada 2008/2009 foi revisto e passou de uma expectativa de 14% para 10%. Já na cadeia produtiva química e do plástico, a âncora Braskem, que lidera um ?pool? de 12 indústrias, diz que não recebeu ?nenhuma sinalização de atraso ou cancelamento? dessas companhias. ### Novos hotéis vão absorver demanda O presidente do Convention Bureau e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Alagoas (ABIH-AL), o empresário Carlos Gatto, diz que vê com ?muito otimismo? os empreendimentos que se consolidam no Estado. Segundo Gatto, os novos hotéis e pousadas vão absorver a demanda por leitos em Alagoas. ?Além disso, esses novos grupos têm uma visão moderna sobre a mão-de-obra que será utilizada. Eles preparam a população local, promovendo a profissionalização da comunidade e gerando empregos na região onde se instalam?, diz. ### Cadeia produtiva impulsiona pólo Outro setor que se destaca na atração de indústrias é o da cadeia produtiva química e do plástico, que tem a gigante Braskem como carro-chefe de um grupo de 12 empresas. O vice-presidente da unidade vinílicos da Braskem, Manoel Carnaúba, diz que o processo de captação começou com a formação da própria cadeia produtiva, que, segundo ele, contou com a parceria do governo do Estado, Sebrae, Fiea e da Braskem. ?Nós participamos da Feira do Plástico [Feira Internacional da Indústria do Plástico, um dos mais importantes eventos do setor no mundo] para atrair clientes e mostramos que Alagoas tem um programa competitivo, que é um bom lugar para se investir?, conta. ### Funcionária comemora conquista de emprego Somente aos 27 anos de idade Ana Paula de Lima Pereira teve um grande sonho realizado: viu sua carteira profissional ser assinada. Ela foi contratada para trabalhar na primeira fábrica que a indústria Mili, oriunda do Sul do País, abriu no Nordeste, mais precisamente na capital alagoana. Com uma central de distribuição instalada no distrito industrial de Maceió, a empresa de higiene pessoal começou a recrutar pessoal em meados desse ano, por meio da agência de seleção e terceirização de pessoal Start. Muitos atenderam ao pedido, entre eles, Ana Paula. Sorridente, a auxiliar de serviços gerais conta que o emprego veio na hora que se preparava para ir tentar um trabalho em Fortaleza (CE). ### Trabalhadores apostam em crescimento Na inauguração da fábrica da Mili, no dia 28 de novembro, o vice-presidente e diretor comercial, Vanderlei Micheletto, elogiou o desempenho dos cinco funcionários que em junho último passaram 37 dias realizando um ?intensivão? na unidade da empresa no município catarinense de Três Barras. Eles foram com a missão de aprender a operar e consertar as máquinas da linha de produção que seriam instaladas em Maceió e de repassar o conhecimento para os colegas. No grupo, estavam Roberto Omena, 29, líder de produção, e Jadelson da Silva, 38, encarregado da fábrica. Ambos alagoanos, com experiência em ramos distintos, como o têxtil e de transportes, eles dizem que nunca se imaginaram trabalhando no setor de higiene pessoal e garantem que não se arrependem da escolha que fizeram. ### Mão-de-obra carece de especialização A mão-de-obra farta e barata é um dos atrativos para as indústrias que pretendem se instalar no Estado. Mas a falta de especialização muitas vezes é um entrave para quem está desempregado. O presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial (Adedi), Gilvan Leite, estima que 90% da mão-de-obra alagoana não é ?muito especializada?, mas ressalta que geralmente os trabalhadores aprendem rápido, citando o exemplo dos funcionários da Mili, que surpreenderam durante o treinamento em Santa Catarina. ?Além disso, temos uma escola do Senai dentro do distrito industrial que atende à comunidade e às necessidades das empresas?, diz. O presidente da Adedi diz que na hora da contratação, as indústrias do distrito dão prioridade a quem mora no Tabuleiro. Segundo ele, é uma ?forma de combater o desemprego na região que integra de dez a 12 bairros e possui uma população de cerca de 150 mil habitantes?. ### No Agreste desqualificação é maior | PATRÍCIA BASTOS - Repórter Arapiraca ? A falta de qualificação da mão-de-obra no Agreste pode reduzir o impacto econômico com a instalação da Mineradora Vale Verde, em Craíbas e Arapiraca. Conforme o diretor-presidente da empresa, Carlos Bertoni, a previsão é de que sejam criados mais de 1.500 empregos durante a fase de implantação da mineradora, que vai até 2011, e de outros 700 quando entrar em operação. ?A região carece seriamente de pessoas capacitadas em diversas disciplinas ? um esforço de treinamento precisa ser realizado. Técnicos especializados têm que vir de outros Estados até que o treinamento de pessoas locais seja feito?, declarou. Apesar da Vale Verde realizar estudos de viabilidade desde 2007, e de recentemente ter encerrado a sondagem da jazida do Serrote da Laje, ainda há dúvidas se a empresa, que faz parte do grupo canadense Aura Minerals, irá realmente explorar o cobre existente no subsolo da região. A crise financeira mundial, que derrubou o preço do cobre no mercado internacional, e que, segundo Bertoni, reduziu as previsões de lucro, pode dificultar o financiamento no projeto no Agreste. ### Infra-estrutura é principal gargalo O prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (PMDB), admite que o grande desafio do seu segundo mandato será aumentar a oferta de água e energia para poder trazer mais investimentos para a região. ?Não podemos falar em desenvolvimento econômico sem resolver esses dois gargalos. Mas a vinda da Vale Verde irá proporcionar a construção da terceira adutora do Agreste e talvez até de uma subestação de energia, que não irá servir apenas à mineradora, mas irá possibilitar também a vinda de outras empresas e melhorar a qualidade de vida da população?, declarou. O prefeito também tem expectativas com relação à chegada do gás natural. Segundo Barbosa, as negociações para a canalização do gás a partir do gasoduto de São Miguel dos Campos será mais um atrativo para a instalação de indústrias na região. ### Queda de energia provoca prejuízos Para o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Arapiraca (Adedia), Luiz Sandes, a fase não é boa para a instalação de empresas na região Apesar do discurso otimista do prefeito, que fala também na implantação de um novo distrito industrial e na concretização do arranjo produtivo local (APL) de movelaria, para os empresários o momento é de cautela, devido à crise econômica. Para o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Arapiraca (Adedia), Luiz Sandes, a fase também não é boa para a instalação de outras empresas na região. ///