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Servidores p�blicos sobrevivem com sal�rios de fome

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A esmagadora maioria dos 53 mil servidores públicos estaduais integra esse universo de miseráveis, cujos vencimentos humilham o cidadão e atentam contra a dignidade da pessoa humana. Com exceção de uma minoria de 2.500 privilegiados (4,7%), que ganha acima de R$ 2.558,00, a quase totalidade do funcionalismo alagoano (95%) recebe em média R$ 561,00 por mês, enquanto o topo da pirâmide salarial de Alagoas é habitado por um pequeno grupo (0,3%) que ganha acima de R$ 4.000,00. Nessa faixa estão procuradores de Estado, delegados de polícia, fiscais de renda, promotores e secretários de Estado. Para aumentar ainda mais o fosso entre os que ganham pouco e uma minoria que leva tudo, o governo acaba de conceder aumento de 38% para esses privilegiados do poder. Esta distorção salarial é o grande desafio de qualquer governo comprometido com o social. A dificuldade maior está em reduzir a distância entre os poucos que ganham muito e a maioria sacrificada, que recebe quase nada. É uma situação crítica que coloca o poder público sob duas camisas-de-força: uma que impede nivelar os salários por cima ? devido à falta de caixa ? e a outra, representada por leis feitas sob encomenda, que proíbe a redução de salários dos que ganham mais. Aumento Para o professor Edmilson Correia Veras, a solução é difícil mas não impossível. Ele acredita que o aumento da receita via cobrança dos tributos é uma alternativa de curto prazo, mas pondera que esta saída depende de um governo sério, comprometido com os interesses maiores da sociedade, capaz de pôr fim aos privilégios, cobrar os impostos e reduzir a sonegação a níveis civilizados. ?Enquanto isto não ocorrer, teremos de conviver com essas distorções salariais, cuja primeira conseqüência é a queda na qualidade dos serviços públicos, em prejuízo de toda a sociedade, que paga a conta??. Correia Veras destaca que o ?desenvolvimento sustentável está embasado em pelo menos quatro dimensões: social, econômica, ambiental e institucional. A dimensão social engloba aspectos relacionados à população, à renda, à educação, à habitação e à segurança??. Lembra que no tocante à população, a taxa média geométrica de crescimento anual 1991/2000 em Alagoas é de 1,31%. Isto quer dizer que entre 1991 e 2000 foram incorporados 308.521 habitantes em Alagoas ? quase metade da população de Maceió. ?Essa informação é importante à medida que permite dimensionar as necessidades de serviços públicos, além de estar associada às diferentes formas de utilização dos recursos naturais nas zonas rural e urbana do Estado??, avalia o pesquisador do CNPq.

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