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IBGE: maioria dos alagoanos vive na mis�ria

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FERNANDO ARAÚJO Por mais que se conheça a miséria endêmica de Alagoas, os últimos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chocam pela crueza dos números e denunciam a situação de indigência social da maioria de sua população, que vive abaixo da linha de pobreza. Os dados da última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) revelam essa dramática situação dos alagoanos: 43,6% das famílias têm renda mensal de até meio salário mínimo (R$ 100,00), resultando em alta taxa de exclusão social materializada no alto percentual de famílias faveladas, desempregadas e moradoras de rua. Para o economista alagoano Edmilson Correia Veras, pesquisador do CNPq, esse quadro de miséria coletiva é resultante da falta de dinamismo da economia e da baixa produtividade do trabalho. ?Além do mais, temos uma das maiores concentrações de renda do mundo civilizado, confirmada pelo índice de Gini, de 0,529, (esse indicador quanto mais próximo de um, maior a desigualdade). Isto significa dizer que Alagoas está no pior dos mundos: renda baixa com alta desigualdade?, informa o economista ao analisar os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Estado. Alguns anos atrás, o professor Edmilson Correia Veras surpreendeu as elites ao afirmar que em Alagoas não existiam mais bolsões de miséria, pois o Estado todo havia se transformado num grande bolsão de pobreza. ?O mais grave é que nossos dirigentes vivem enclausurados nos climatizados gabinetes do poder e não têm a menor idéia da dimensão dessa tragédia social que atinge todos nós?. Ele lembra que a pesquisa é de 1999 e alerta que a situação atual é bem pior e que deverá ser confirmada pelo censo 2000 do IBGE. Passando das palavras aos números, os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável revelam ainda que 26% da população têm renda mensal familiar de meio a um salário mínimo (R$ 100,00 e R$ 200,00), enquanto outros 13,7% vivem com renda familiar de até dois salários mínimos e só 5% ganham mais de cinco salários mínimos. Somando as três primeiras faixas de renda familiar, verifica-se que 83,3% dos ala-goanos ? maioria da população - sobrevivem com renda mensal de até R$ 400,00, insuficiente para garantir a dignidade humana. ?Isto significa dizer que, em Alagoas, as famílias que ganham cinco salários mínimos (R$ 1.000,00) são consideradas ricas. Na área da educação, tomando por base a média de anos de estudo da população de 25 anos ou mais, a situação de Alagoas se iguala aos piores bolsões de miséria dos países da África Central, visto que seu índice de escolaridade é de apenas quatro anos de estudo, em média. Os índices da violência também revelam dados assustadores: 20,4 homicídios por grupo de 100.000 habitantes. No Nordeste, Alagoas só perde para Pernambuco, onde o coeficiente de mortalidade por homicídio é de 55,6 por 100.000 habitantes.

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