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Economia

A vez da ind�stria da beleza no Brasil

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?As muito feias que me perdoem. Mas beleza é fundamental?. Quando escreveu o poema Receita de Mulher, o autor carioca Vinícius de Moraes muito provavelmente não imaginava, naqueles idos da década de 60, que a abertura do texto publicado no livro Antologia Poética (José Olympio Editora) iria ser a tônica de um setor da indústria brasileira que passa incólume à crise e registrou um crescimento de 10% nas vendas do ano passado. De acordo com o panorama traçado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfume e Cosméticos (Abihpec), o segmento passou de um faturamento ex factory, líquido de imposto sobre vendas, de R$ 4,9 bilhões em 1996 para R$ 19,6 bilhões em 2007. Os dados mostram ainda que, nos últimos 12 anos, o setor registrou um crescimento médio de 10,9% contra 2,8 do Produto Interno Bruto (PIB) e 2,8% da indústria em geral. Tanto na poesia como na economia, beleza continua sendo fundamental. ### Empresas passam ao largo da crise e colhem lucros Balanços de 2008 mostram que empresas como Avon, Boticário, Natura e Niely ? as três últimas genuinamente nacionais ?, passaram ao largo da crise e fecharam o ano com resultados positivos. No ano passado, a Avon registrou um incremento de 15% em receita (moeda local). De acordo com a assessoria de imprensa, a empresa tem, em 50 anos de atividades no País, ?um histórico de crescimento constante de dois dígitos?. Ainda segundo a assessoria, ?em balanço divulgado recentemente, a empresa registra crescimento global de 8% em sua receita bruta (5% em moeda local), atingindo a marca recorde de US$10,7 bilhões. ### Indústria aplica R$ 400 mi em marketing Plano de ação da Natura compreende os anos de 2008 a 2010 e foca em novo ciclo de expansão No ano passado, a Natura apresentou um plano de ação que reforça em R$ 400 milhões os investimentos em marketing para o período 2008-2010. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, ?o plano de ação começou a apresentar seus primeiros resultados já no segundo semestre de 2008, período em que a receita líquida no Brasil evoluiu 20,7%, enquanto no primeiro semestre havia crescido 11,1%?. O diretor presidente da Natura, Alessandro Carlucci, diz por meio da assessoria de imprensa, que a companhia se prepara para um novo ciclo de expansão, ?como uma empresa cada vez mais inovadora, produtiva e ajustada aos desafios de seu tempo?. ### Vendas de tintura crescem mais de 30% em 2008 A Niely Cosméticos, de Nova Iguaçu, no Rio, responsável pela tintura Cor&Ton, viu a coloração aumentar sua participação no mercado brasileiro e se firmar como a tintura mais vendida no Brasil, no ano passado. De acordo com os últimos dados da Nielsen, referentes ao bimestre novembro-dezembro, Cor&Ton detém participação de 11,6% no mercado nacional. No período de setembro-outubro, a marca já estava na primeira colocação, com 10,8%. Por meio da assessoria de comunicação, o presidente da empresa, Daniel de Jesus, afirmou que, em dezembro de 2008, as vendas de Cor&Ton tiveram um crescimento superior a 30%, em relação ao mesmo período de 2007. ### Vaidade na hora de comprar produtos Batom, rímel, hidratante, filtro solar, blush são apetrechos que não podem faltar na bolsa da funcionária pública estadual Cristiane Melo, 30. Ela conta que não passa um diz sequer sem usar hidratante no corpo e costuma ter à mão de dois a três produtos diferentes. Batom é questão de ?conforto?, já que segundo Cristiane, os lábios costumam ficar ressecados. ?Procuro manter minha pele sempre hidratada. Gosto de usar produtos receitados por dermatologistas. Mas, sempre tenho outros para ir revezando durante o dia, principalmente por causa do cheirinho bom?, conta Cristiane. ?E sempre que um está perto de acabar, já compro outro para não ficar sem?, completa. ### Catálogo e simpatia são armas de revendedoras Um batalhão de quase dois milhões de pessoas. A grande maioria a serviço da beleza. Nas mãos, uma única arma: um catálogo recheado de produtos que fascinam pelas cores, fragrâncias, texturas e principalmente pela promessa de tornar qualquer gata borralheira uma linda princesa. É um apelo quase irresistível, principalmente quando é feito por uma simpática e persuasiva revendedora. Elas estão em toda parte. Pode ser sua amiga, sua prima, a vizinha. Pode ser até você. E os motivos para se tornar uma revendedora são os mais variados. Seja para passar o tempo após a aposentadoria, para conseguir um dinheiro extra para as baladas ou como forma de aumentar a renda familiar. ### Não existe tempo ruim para vendedoras A depiladora Geilza Santos, 26, deu uma guinada na vida profissional há pouco mais de um ano. De funcionária de um centro de depilação em Maceió, ela virou dona do próprio negócio e hoje trabalha em uma sala alugada no Farol. Mais ou menos na mesma época, ela resolveu se tornar revendedora de produtos Natura. Como não tinha tempo disponível para ir à casa das clientes ? ela trabalha de segunda a sábado ?, Geilza investiu na compra de alguns produtos e deixou à mostra da clientela que marcava depilação. A ideia deu certo. Além de vender os produtos do seu ?estoque?, Geilza também faz os pedidos das consumidoras via catálogo. ?Eu decidi vender Natura pela qualidade dos produtos?, afirma. Segundo Geilza, com o dinheiro extra que consegue com as vendas ela complementa o orçamento familiar. ?É um dinheiro que me faria falta se eu não tivesse mais?, diz. ### Venda direta sustenta laço de confiança O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd), Lírio Cipriani, em entrevista à Gazeta fala do mercado de vendas diretas no Brasil e como vários segmentos empresariais estão investindo ?no porta a porta?. A seguir os principais trechos da entrevista. Gazeta ? A associação atua desde 1980. Neste período, o que mudou nas vendas diretas no Brasil? Lírio Cipriani ? O mercado brasileiro de vendas diretas amadureceu muito nas últimas décadas, crescendo sempre a taxas de dois dígitos. O vigor do setor tem despertado o interesse de empresas estrangeiras de vendas diretas, que trouxeram suas marcas para o País. Além disso, empresas de segmentos distintos criaram operações específicas de vendas diretas, cientes das oportunidades do setor. No ano passado, a World Federation of Direct Selling Associations (WFDSA) [organização que congrega todas as associações nacionais de vendas diretas existentes no mundo] levou a público que o Brasil ultrapassara dois países no ranking dos maiores mercados, estando hoje atrás somente de EUA e Japão. ///

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