Mercado
Bolsa volta a bater recorde e dólar cai para R$ 5,36
Expectativa de corte de juros nos EUA impulsionou mercados
Ainda que não tenha renovado a máxima histórica intradia conquistada na segunda-feira, 27, o Ibovespa conseguiu um novo nível recorde de fechamento nesta terça-feira: os 147.428,9 mil pontos, em alta de 0,31%. A expectativa de corte de juros nos Estados Unidos na quarta-feira e possível acordo entre os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China) na quinta-feira, quando devem se reunir, balizaram fluxo para a renda variável, com destaque para ações ligadas ao minério de ferro entre as maiores altas. Já a queda de quase 2% do petróleo reduziu o ímpeto do índice na reta final do pregão.
Segundo a B3, trata-se do 16º recorde do Ibovespa em 2025 e a primeira vez na história que o fechamento do mercado atinge o nível de 147 mil pontos.
Já o dólar se firmou em leve baixa ao longo da tarde e, após mínima a R$ 5,3534, encerrou a sessão dessa terça-feira, 28, em queda de 0,20%, a R$ 5,3597 - menor valor de fechamento desde o último dia 8. O real parece ter se beneficiado de fluxo para a bolsa doméstica e de certo apetite externo ao risco, com investidores à espera de um novo corte de juros na quarta-feira, 29, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Há também a expectativa de desenlace positivo do encontro entre os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China) na quinta-feira, 30, na Coreia do Sul.
Operadores ressaltam que a liquidez continua bem reduzida, apesar da proximidade do fim do mês, quando ocorre a rolagem de posições no mercado futuro. A leitura é a de que investidores evitam apostas mais contundentes à espera de sinais mais claros sobre as tratativas comerciais. Outro ponto a ser levado em conta é ausência de indicadores relevantes da economia americana para balizar os negócios, uma vez que a divulgação de dados foi interrompida pelo shutdown.
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O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, pondera que, a despeito do ritmo lento dos negócios, o clima segue favorável a ativos brasileiros no curto prazo, com a ambiente externo propício ao risco e a postura firme do Banco Central na gestão da política monetária.
"A aproximação entre Lula e Trump também colabora para o bom humor dos investidores. E o fato de Trump ter voltado atrás na ameaça de tarifas ainda maiores para a China também contribuiu para desanuviar o ambiente", afirma Viotto, para quem os investidores já se acostumaram com a estratégia morde-e-assopra de Trump nas negociações comerciais.
Embora tenha uma visão otimista para os ativos brasileiros, Viotto pondera que o real pode sofrer uma leve depreciação, com o dólar atingindo novamente o nível de R$ 5,50 até o fim do ano, em razão do aumento sazonal de remessas ao exterior. "O BC já fez até uma pequena intervenção nesta semana com o 'casadão' e pode oferecer mais linhas ao mercado", diz Viotto, em relação à oferta conjugada na segunda-feira de US$ 1 bilhão em leilão à vista e de US$ 1 bilhão em operação de swap cambial reverso.
Lá fora, o dólar recuou na comparação com outras moedas fortes, à exceção da libra, e em relação à maioria das divisas emergentes e de exportadores de commodities. Pares latino-americanos do real, contudo, amargaram perdas, em dia de tombo de mais de 2% dos preços do petróleo. O peso argentino teve queda de mais de 2,5%, devolvendo parte dos ganhos da segunda, na esteira da vitória do presidente Jair Milei nas eleições legislativas.
É dado como certo que o Federal Reserve vai anunciar na quarta novo corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros americana, apesar do "apagão" de dados nos EUA. A perspectiva é a de que o BC americano promova mais um corte de 25 pontos-base em dezembro, o que tende a tirar força da moeda americana.
A perspectiva de um dólar globalmente enfraquecido e de aumento do diferencial entre juros interno e externo - dada a sinalização do Banco Central de que não haverá redução da taxa Selic neste ano - tende a dar suporte ao real, amenizando a pressão exercida pela piora do fluxo no fim do ano.
O head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, destaca que o real "é o campeão mundial" entre as principais divisas quando se observa o carry ponderado pela volatilidade - ou seja, apresenta a melhor relação entre risco e retorno. "O carry é muito elevado. A tendência é positiva para divisas emergentes, e o real pode continuar se valorizando", afirma Weigt.