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Serviços e comércio impactam economia de Alagoas em 2026

Em 2025, os dois setores foram responsáveis por 80% dos 19.614 empregos com carteira assinada gerados em Alagoas até novembro

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Em franca expansão, os serviços são a área que mais emprega no estado
Em franca expansão, os serviços são a área que mais emprega no estado | Foto: Kaio Fragoso / Agência Alagoas

Repetindo o desempenho no ano passado, os setores de serviço e comércio de Alagoas devem impactar a economia do estado ao longo de 2026, concentrando a maior parte do Produto Interno Bruto de Alagoas (PIB) e o maior volume de empregos entre todas as atividades econômicas alagoanas.

Em 2025, os dois setores foram responsáveis por 80% dos 19.614 empregos com carteira assinada gerados em Alagoas até novembro. Sozinho, o setor de serviços criou 12.240 postos formais de trabalho – 62,4% do total de vagas no estado.

Para o economista Cícero Péricles, a economia alagoana deverá repetir em 2026 o desempenho positivo alcançado em 2025, uma vez que não há nenhum sinal de diminuição de ritmo dos setores econômicos mais importantes.

"Para este ano, no plano do comércio e serviços – a principal atividade da economia estadual – assim como na indústria, agricultura e construção civil, a tendência é de resultados positivos, ainda que em ritmo moderado", defende ele.

"Esse cenário é sustentado pela perspectiva da continuidade do crescimento da economia brasileira, pelos investimentos previstos no plano estadual, incluindo os anunciados pelo governo alagoano, e pela manutenção do nível de renda", acrescenta.

Desemprego

Cícero Péricles lembra que a taxa de desemprego, que chegou a 20% em 2020, vem caindo de forma consistente desde o ano seguinte e, atualmente, está em 7,7%, a mais baixa desde 2012. "Ainda está mais alta que a nacional, mas nada indica que aumentará no próximo ano".

Segundo os dados do Ministério do Trabalho, o número de trabalhadores com carteira assinada vem crescendo desde 2021, passando de 400 mil naquele ano para os atuais 480 mil empregados formais.

"A renda média dos alagoanos acompanha o nível de emprego e vem aumentando regularmente, tanto que, há dois anos, no final de 2023, era de 2.000 reais, e agora está em R$ 2.400. A combinação de taxa baixa de desemprego e crescimento do rendimento médio influencia fortemente o consumo popular e estimula a criação de novas empresas".


PIB

Levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos (Etene) do Banco do Nordeste estima que o PIB de Alagoas deve apresentar crescimento de 1,4% este ano. O percentual está um pouco abaixo do 1,8% estimado para o Brasil pelo Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, de acordo com o último Boletim Focus divulgado pela instituição no dia 30 de dezembro de 2025.

"Estamos vivendo um ciclo econômico que vem desde 2021, quando a economia saiu do isolamento determinado pela Covid-19. Desde então, a economia brasileira tem apresentado taxas positivas, e a economia alagoana, cada vez mais conectada à nacional, acompanhou esse movimento", explica Cícero Péricles

Ele lembra que o estado cresceu 6,3%, em 2021, 3,3%, em 2022, e 3,2% em 2023. "A expectativa para 2024 e 2025 é de que a economia alagoana siga acompanhando os resultados nacionais e obtenha taxas semelhantes", defende.

O economista também lembra que em Alagoas o consumo é fortemente influenciado pela renda dos salários e pelos pagamentos dos programas sociais, principalmente da Previdência e do Bolsa Família.

"Em 2025, até outubro, as taxas anuais de vendas do comércio e serviços alcançaram números favoráveis: 4% para o comércio e 2,5% para o setor de serviços. Com o novo salário mínimo de R$ 1.621 em vigor deste 1º de janeiro, haverá impacto direto na renda da maioria dos assalariados alagoanos e dos beneficiários da Previdência Social", ressalta.

Como a Gazeta mostrou, o novo mínimo provocará um impacto extra de R$ 672 milhões ao ano aos cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Alagoas. Mensalmente, apenas o reajuste de 6,79% (o equivalente a R$ 103), despejará R$ 56 milhões na economia local, segundo dados compilados pela reportagem.

No estado, cerca de 540 mil beneficiários do órgão recebem um salário mínimo, segundo levantamento do Ministério da Previdência Social. De acordo com o governo federal, a maior parte da injeção de recursos vem do pagamento de aposentadorias, pensões e do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Turismo

Subgrupo do setor de serviços, o turismo deverá movimentar ainda mais a economia de Alagoas ao longo deste ano, com a inauguração de novos hotéis prevista para 2026, segundo dados da Secretaria de Estado do Turismo (Setur). No total, cerca de 3,2 mil novos leitos estarão à disposição para atender o turista que visita o estado.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Hotéis de Alagoas (ABIH/AL), Gabriel Cedrim, os novos hotéis impactarão significativamente o setor em Alagoas.

Alagoas também deve receber um aporte de R$ 2,8 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) do Banco do Nordeste este ano para investimentos em diversas áreas.

O volume, que representa um crescimento de 11% ante o registrado em 2025, será distribuídos em áreas como infraestrutura (R$ 767 mi), pecuária (R$ 682,5 mi), comércio e serviços (R$ 559,9 mi), agricultura (R$ 325,7 mi), indústria e agroindústria (R$ 298,1 mi), turismo (R$ 191,3 mi)e pessoa física (R$ 12,6 mi).

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