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Petroquímica

Braskem quer evitar calote e vai negociar com credores

Em Alagoas, a petroquímica ainda lida com as consequências ambientais provocadas pelo afundamento de bairros

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Braskem trabalha para evitar um calote de cerca de US$ 140 milhões
Braskem trabalha para evitar um calote de cerca de US$ 140 milhões | Foto: — Foto: Ailton Cruz

Com a transferência do controle Braskem da Novonor (ex-Odebrecht) para a IG4 Capital em andamento, a petroquímica trabalha para evitar um calote de cerca de US$ 140 milhões relativos a juros de títulos de dívida emitidos pela companhia no exterior (bonds).

Para isso, deve dar início às conversas no começo de janeiro com um grupo ad hoc de bondholders (um comitê de negociação que está sendo estruturado).

O primeiro vencimento está previsto para o próximo sábado (10) e, caso esse compromisso não seja cumprido, a Braskem fica inadimplente e tem 30 dias para realizar o pagamento, sob o risco de aceleração de todas as suas dívidas, sendo que o endividamento bruto da empresa é de aproximadamente US$ 8,4 bilhões, com prazo médio de nove anos.

O dilema é pagar e usar recursos em um momento de transição, e delicado financeiramente, ou dar o calote e entrar em um ambiente mais tenso, com pouco tempo para organizar uma prevista reestruturação da companhia. Por enquanto, a decisão de não pagamento, que foi levantada no início de novembro, não foi tomada, disse uma fonte com conhecimento do assunto.

Companhia tem liquidez apertada

No entanto, parte importante dos credores já dá o calote como quase certo, vista a situação de liquidez apertada da companhia e a falta de um diálogo mais promissor com a IG4, que foi contratada pelos bancos credores da Novonor para assumir a participação, mas só deve atuar na companhia após a transferência das ações ser concluída e o acordo de acionistas com a Petrobras, que tem a segunda participação mais relevante na petroquímica, ser aprovado.

Neste primeiro momento, portanto, as conversas com esses credores devem ser conduzidas pela Lazard, assessor financeiro, e pelos escritórios E. Munhoz e Cleary Gottlieb, assessores jurídicos. Mas o fato é que a IG4 Capital, pelo desenho já acertado com a Petrobras, ficará encarregada da gestão financeira da empresa e da reestruturação de seu passivo e de sua estrutura de capital. Por isso, muitos credores ainda têm dúvidas sobre como será conduzido esse processo a partir deste mês.

Alagoas

Em Alagoas, a petroquímica ainda lida com as consequências ambientais provocadas pelo afundamento do solo em cinco bairros de Maceió. O fato fez a companhia anunciar o fim da exploração de sal-gema em Alagoas e a "hibernação" da indústria no Pontal da Barra.

Como a Gazeta mostrou, o fechamento da petroquímica representa grandes prejuízos para a economia alagoana.

De acordo com a própria indústria, a produção da empresa no Estado movimenta anualmente R$ 5,1 bilhões, além de gerar 4,1 mil empregos diretos e indiretos nas duas unidades. Segundo a companhia, a renda gerada por ano ao Estado a partir da operação industrial ultrapassa os R$ 960 milhões. São recursos que deixariam de circular.

“No sentido econômico estadual, a permanência das duas fábricas da Braskem em Alagoas seria importante pelo seu papel de indústria-motriz para a cadeia plástico-química, na medida em que ela produz insumos para quase uma centena de outras indústrias – de pequeno e médio porte – existentes em Alagoas”, ressalta o economista Cícero Péricles de Carvalho.

Em entrevista ao UOL Líderes, em 29 de julho de 2025, o presidente da Braskem, Roberto Ramos, disse que o processo de fechamento das minas de sal-gema levará pelo menos dez anos. “Nós fechamos as minas e nunca mais vamos nos envolver na mineração, que era uma atividade que, na verdade, não tinha nada a ver com a nossa petroquímica”, disse.

Desde que encerrou a exploração de sal-gema, em 2019, devido aos problemas geológicos em pelo menos cinco bairros de Maceió, a Braskem importa sal do Chile para ser usado como matéria-prima na indústria de cloro-soda de Alagoas.

Recentemente, a companhia emitiu nota oficial em que diz que está promovendo uma transformação estratégica em sua unidade de PVC em Marechal Deodoro (AL), com foco em sustentabilidade, inovação e aumento de competitividade.

"Como parte desse processo de transformação, a empresa concluiu em setembro a transição de sua unidade de produção de Cloro Soda para operação logística de dicloroetano (EDC) e firmou um contrato de fornecimento de longo prazo com uma empresa líder global na produção da matéria-prima, ampliando a competitividade e fortalecendo a cadeia produtiva do PVC", diz a nota.

A companhia destaca a continuidade de sua presença na unidade localizada do Pontal da Barra, que passou a ter flexibilidade para movimentar grandes volumes de EDC. Desta forma, fizemos uma transição de um site de produção para um site de operação logística, mantendo sua relevância estratégica.

*Com informações do Estadão.

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