Operação
BC decreta liquidação da Reag, investigada por fraudes no caso Master
Decisão foi assinada pelo presidente Gabriel Galípolo em ato do Banco Central


O Banco Central decretou nessa quinta-feira (15) a liquidação da Reag Trust, instituição investigada por participar de suposta ciranda financeira que inflava artificialmente ativos no caso Master com o uso de fundos de investimento. Ela também é suspeita de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A Reag tinha R$ 352 bilhões sob administração em novembro, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). No ranking de administradoras, ela aparece na 11ª posição no país.
A liquidação foi decretada um dia depois de a Polícia Federal deflagrar a segunda fase da operação Compliance Zero, que apura a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.
Essa nova etapa da investigação teve como alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a parentes dele e a empresários, incluindo Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-dono da Reag –gestora investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado.
Após a operação da PF, a defesa de Mansur disse que não teve acesso a investigação, mas que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Mansur deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração da Reag em setembro de 2025 para conter crise de credibilidade depois da operação Carbono Oculto. A Reag foi um dos alvos do ato deflagrado pela PF para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no mercado financeiro.
Na ocasião, a Reag negou conexão com o PCC. "Desde o início das apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, a Reag tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo informações, documentos e acesso aos seus sistemas sempre que solicitado."
No ato em que determinou a liquidação da Reag, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, nomeou como liquidante a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo, tendo como responsável técnico Antônio Pereira de Souza. Ele foi servidor do Banco Central e atuou na liquidação do banco Bamerindus.
A instituição hoje é denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e se enquadrada no segmento S4 (porte inferior a 0,1% do PIB), representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema financeiro nacional.
Em nota, o BC disse que a liquidação foi motivada "por graves violações às normas" que regem as atividades das instituições que integram o sistema financeiro.
"O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", disse.
A liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional. Com o ato, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.
Existe a possibilidade de o liquidante, caso seja autorizado pelo BC, requerer a falência da instituição. Nesse caso, é um processo conduzido pela via judicial.
Com a liquidação da Reag pelo BC, os fundos de investimentos administrados pela instituição ficam congelados, mas não são encerrados com a liquidação extrajudicial. Isso ocorre porque o fundo é um conjunto de ativos pertencentes aos cotistas, e não à administradora.
