Selic
BC mantém juros básicos em 15% ao ano pela 5ª vez seguida
Manutenção da taxa era expectativa majoritária do mercado; a reunião teve a participação de 7 dos 9 membros do Copom


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve inalterada nessa quarta-feira (28) a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta reunião seguida. Apesar da decisão conservadora, tomada por unanimidade, indicou que prevê dar início ao ciclo de queda da Selic no encontro seguinte, em março.
"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirmou o colegiado do BC no comunicado.
O comitê evitou sinalizar qual será a intensidade dos próximos movimentos, dizendo que "o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo". Segundo ele, essa definição dependerá da evolução de fatores (sem especificar quais) que darão maior confiança de que a meta de inflação será atingida à frente, hoje o BC tem o terceiro trimestre de 2027 como alvo.
Ao justificar a decisão de calibrar o nível da Selic, o comitê falou em efeitos "mais evidentes" da política de juros e reconheceu que houve arrefecimento da inflação.
Repetiu a avaliação de que a estratégia em curso, de Selic elevada por período prolongado, tem se mostrado adequada para levar a inflação ao objetivo perseguido. Mesmo tendo amenizado o tom, voltou a dizer que o cenário, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política de juros.
No mercado financeiro, a expectativa majoritária dos economistas era de manutenção dos juros no atual patamar. Levantamento feito pela Bloomberg mostrava que, entre 35 instituições consultadas, 32 projetavam que a Selic ficaria em 15% ao ano.
Nas últimas semanas, grandes bancos revisaram seus cenários e passaram a apostar em cortes a partir de março. Já uma parcela minoritária dos agentes continuou esperando que o ciclo de flexibilização da taxa básica ocorresse já na reunião inaugural do ano.
O encontro dessa quarta teve quórum reduzido, uma vez que ainda não foram anunciados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os substitutos dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujos mandatos terminaram em 31 de dezembro de 2025.
A decisão do Copom sustentou o atual diferencial entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos. Mais cedo, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) interrompeu o ciclo de cortes, apesar da pressão do presidente Donald Trump, e manteve as taxas estáveis na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Para o comitê, o ambiente externo se mantém incerto devido à política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica", disse.
