Economia
Produ��o de coco perde espa�o em AL
Alagoas ocupa o 5º lugar na produção de coco entre os Estados brasileiros, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Produtores de Coco, Francisco Porto. Mas, já esteve em posição melhor ? a 3ª no ranking nacional, de acordo com a Associação dos Produtores de Coco de Alagoas (Prococo). A decadência, para o presidente da entidade, Eurico Uchôa, deve-se à perda de espaço físico na região praieira para a especulação imobiliária e a dificuldades diversas enfrentadas pelos produtores. Segundo ele, a cultura do coco, que já ocupou papel de destaque na economia do Estado, perdendo apenas para a cana-de-açúcar, hoje está longe dessa posição. ?Nos últimos 15 anos, tivemos a área de cultivo encolhida de 25 mil hectares para 13 mil. É menor do que a área de cultivo da macaxeira, que só no município de Arapiraca ocupa 18 mil hectares?, diz ele, admitindo que, se continuar nesse ritmo, a cultura do coco tende a sair do ranking dos quesitos importantes da economia alagoana. ### Associação busca apoio para setor Em Petrolina, onde a experiência do coco irrigado já vigora, eles têm uma produção de aproximadamente 220 frutos por pé ao ano. Em Alagoas, o coqueiro tratado dá uma média de 45 frutos, o que é muito pouco, segundo o presidente da Prococo, Eurico Uchôa. Outra saída para ?salvar a lavoura?, na avaliação do produtor, seria a criação da Câmara Setorial da cadeia produtiva do coco, com ajuda do governo estadual, que já vem discutindo esse formato com a classe produtora. ?Já sentamos com as secretarias da Agricultura e de Desenvolvimento Econômico para a formatação do projeto da Câmara Setorial. As perspectivas são boas. Seria a resistência dessa cadeia produtiva?, diz Uchôa. ### Estado fornece coco seco para o Rio e São Paulo De acordo com os números da Prococo, Alagoas produz uma média de 80 milhões de frutos ao ano, em safras intercaladas de dois em dois meses. Os custos de produção incluem o controle de praga, a limpeza dos coqueiros e a retirada do fruto, que custava, em média, R$ 0,50 por cada pé, mais a diária do tirador. Hoje, com o advento do turismo, a mão-de-obra ficou escassa e o preço segue a livre negociação, com desvantagem para os produtores, segundo Eurico. A espera para a primeira safra, no coco gigante, que é o cultivado em Alagoas, é de sete anos, e a partir daí, um coqueiro tem uma vida útil de mais de cem anos. O pai do presidente da Prococo, Eurico Uchôa, que era pequeno produtor, costumava ensinar: ?Se plantar dez hectares, sobrevive?. E o filho adotou a cultura como meio de vida. ?Hoje, nem japonês vive com 10 hectares plantados. Eu tenho 100 e estou criando boi no meio dos coqueiros?, diz ele. ### Alagoas depende dos cocos que chegam de SE e PB Alagoas é autossuficiente em coco seco, segundo o Sindicato Nacional dos Produtores, no entanto, enquanto 50% da produção local é vendida fora do Estado, parte do produto consumido aqui vem de fora. É aqui onde está a maior indústria de beneficiamento do País, a Sococo, porém ela mantém a sua própria produção do fruto em terras estranhas, no Estado do Pará. Por aqui, dá a sua contribuição gerando emprego e renda. A maioria das outras indústrias locais, entre elas a Pindorama, beneficia o coco produzido em Alagoas. Em relação ao coco verde, boa parte vem de outros Estados como Sergipe e Paraíba, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Produtores de Coco, Francisco Porto. A informação é confirmada por varejistas, que vendem o produto nas ruas do Centro, na orla, ou no mercado da produção. ### Nordeste detém 80% da produção A cultura do coco, originária do sudeste asiático, está presente em mais de 80 países de clima tropical. Chegou ao Brasil no século 16, junto com a colonização, começou pela Bahia e se disseminou por todo o litoral nordestino, que hoje responde por mais de 80% da produção brasileira de coco, segundo o Sindicato Nacional dos Produtores de Coco. É nessa região, segundo a Embrapa, onde está concentrada a produção de coco seco. Mas, dados de 2007 divulgados pela empresa mostram que hoje a produção brasileira de coco está distribuída em quase todo o território nacional, exceto Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nas outras regiões, a predominância é do coco anão, que é consumido verde. ///