Economia
Conquistada a ferro e fogo a regi�o � o�marco da coloniza��o branca no Estado
Japaratinga ? Os laços políticos foram cortados em 1817, mas a dependência econômica resiste aos 185 anos de Emancipação Política de Alagoas. Pelo Litoral Norte foi onde se deu a colonização das terras alagoanas pelo homem branco, em meados de 1600, liderado pelo alemão Cristovão Lintz (Lins, aportuguesado), o maior predador de índios e o primeiro grileiro de terra no Estado. Cristovão recebeu uma sesmaria que começava no atual Cabo de Santo Agostinho, na chamada Região Metropolitana do Recife, e se estendia à foz do Rio São Francisco. Prendeu índios para vendê-los como escravo, tomou-lhes as terras, fundou engenhos de açúcar e deu início ao traçado geográfico de Alagoas, que surgiu como prêmio à submissão do ouvidor Antônio Ferreira Batalha, que não aderiu à Revolução Republicana deflagrada em Pernambuco em 1817 e combateu os revolucionários. Caminho do rio Japaratinga, como Maragogi, não existia até meados do século 20 ? não passava de colônia de pescadores, pertencente ao município de Porto de Pedras. A expansão da cana-de-açúcar, o coco e a pesca deram a base inicial para que fossem transformados em municípios, mas o crescimento urbano só foi registrado com o boom turístico promovido exatamente a partir do Recife ? os pernambucanos foram os primeiros turistas e veranistas a desembarcarem na região e ainda hoje predominam. O ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, além de empresários e profissionais liberais como o comandante Conti, piloto da Varig, optaram pela região para descansar. Maragogi, mais desenvolvida, já conta com agência bancária; Japaratinga ainda luta contra a inércia que parece desafiar o tempo ? muita coisa mudou na cidade, mas o desemprego e a falta de perspectiva estão expulsando parte da população jovem. Bruno, 22, filho de alagoanos, quer se mudar para Recife, onde nasceu. ?Aqui não tem futuro, não passa disso que você está vendo?, desabafa preocupado, porque é casado e tem um filho. Ele sobrevive do caldo de cana do pai, China, o mais freqüentado do lugar. Conquistada a ferro, fogo e sangue, a região foi cenário de lutas contra os holandeses ? o general espanhol Rojas e Borjas morreu em combate às margens do Rio Camaragibe; Domingos Fernandes Calabar nasceu na região que também é conhecida por Quatro Rios ? Manguaba, Camaragibe, Santo Antônio e Persinunga, este o marco da divisa com Pernambuco. O caminho para penetração era o Rio Manguaba, por onde os invasores vindos do mar penetravam até Porto Calvo. Ao contrário do que apresenta hoje, a região já registrou movimento comercial intenso, com o transporte do açúcar dos engenhos bangüês para o porto de Maceió ? e de víveres, roupas e medicamentos no sentido inverso. O professor José Sabino conta que haviam mais de vinte estaleiros implantados entre Porto de Pedras e a Barra de Santo Antônio. ?As embarcações fabricadas aqui eram famosas?, conta, recordando que ainda presenciou, quando era garoto, o desenvolvimento dos estaleiros. ?Hoje em Porto de Pedras só tem um estaleiro?, acrescentou. O turismo Devido à atividade agrícola intensiva, baseada na cana-de-açúcar, e por causa da incompatibilidade com a pecuária, a região somente agora experimenta o ciclo bovino, com a expansão de fazendas de gado de leite e corte. O professor Sabino mostra que a opção pela pecuária compensa a frustração com os resultados dos investimentos turísticos. ?Turismo não é só hotel ou praia. Turismo é serviço e, com exceção de Maragogi, nenhuma outra cidade do Litoral Norte está preparada para receber os visitantes?, reconheceu. Mas, apesar de o turismo ainda não ter dado a resposta que a população de Japaratinga espera, não há outra saída para desenvolver a região. ?Tem lugares na Bahia que eram tão atrasados quanto Japaratinga e se desenvolveram do dia para a noite, porque houve investimento e força de vontade. Temos um litoral que não fica a dever a nenhum outro Estado, só falta agir com competência?. As queixas devem ser extensivas ao poder público estadual ? Alagoas é o único Estado com o cronograma de obras do Projeto Costa Dourada atrasado, devido à inadimplência ? o governo nunca cumpriu com a contrapartida financeira acertada com o Banco Mundial. Também não existe em Japaratinga nenhum posto de atendimento ao turista ? a Secretaria Estadual de Turismo não existe para a região. ?Miséria e sujeira não atraem o turista, pelo contrário, afugenta-o?, completou o professor.