Economia
Porto de Macei� est� fora da Transnordestina
ROBERTO VILANOVA O Porto de Maceió não foi incluído no novo traçado da Transnordestina, a ferrovia que vai ligar o Nordeste Setentrional e o Sertão do São Francisco aos terminais portuários de oito das nove capitais da região. O Ministério dos Transportes anunciou a liberação de R$ 26 milhões para a recuperação do trecho de 600 quilômetros entre Recife e Salgueiro, reiniciando as obras da ferrovia, paralisadas há dez anos. Orçada em 216 milhões de dólares, a nova ferrovia foi alterada para inclusão do ramal de 80 quilômetros ligando o Pólo Gesseiro de Pernambuco, responsável por 80% do consumo do País. A alteração foi permitida depois que os 380 empresários que exploram e industrializam a gipsita no Sertão do Araripe concordaram em participar do consórcio que vai administrar a Transnordestina, contribuindo com 50 milhões de dólares (600 mil dólares para cada um) para aquisição de vagões e locomotivas. Em Alagoas A ferrovia concentrará a movimentação de cargas nos portos de Recife, Salvador e Fortaleza, mas estará ligada também a Natal, João Pessoa, São Luis, Aracaju e Luiz Correia (litoral do Piauí). O Ministério dos Transportes nega que a alteração do traçado original, para beneficiar o Pólo Gesseiro pernambucano, acarretou na supressão do Porto de Maceió, única das nove capitais do Nor-deste que não foi incluída no trajeto. O Ministério também nega ter havido discriminação com Alagoas, citando que está previsto o terminal de líquidos (álcool) em União dos Palmares e de minério (magnetita) em Arapiraca. O terminal de álcool já existe e foi construído sem a ajuda do governo. Pertence à Usina Laginha (grupo João Lyra) e servia para transportar de trem o álcool destinado ao Ceará, Piauí e ao Maranhão ? o terminal está paralisado devido aos estragos causados na linha férrea, durante as cheias dos Rios Mundaú e Canhoto, há dois anos. Quanto ao terminal de minérios depende da Companhia Vale do Rio Doce, que, por coincidência, também é acionista da Transnordestina, através da Companhia Ferroviária do Nordeste ? CFN. A magnetita extraída do agreste alagoano será levada por ferrovia até Camaçari, onde a Vale mantém estrutura para beneficiar o minério. Engavetado A direção da CFN, principal controladora da Transnordestina, chegou a negociar com a Trikem para transportar soda cáustica e dicloretano de trem até a central de matéria-prima da empresa, na Bahia. Entusiasmada com as negociações, a direção da CFN anunciou a aquisição de vagões-tanque revestidos com polyester exclusivo para o transporte de produtos químicos, o que exigiria a construção de um terminal químico na antiga Estação Central ou em Jaraguá. Esses projetos acabaram engavetados e o escritório da CFN em Alagoas não sabe se serão implementados ? tudo depende da recuperação da linha férrea, pois há dois anos o Estado está isolado, por ferrovia, do resto do País. O projeto A pressão do governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, e a decisão do Sindicato das Indústrias do Gesso ? Sindugesso - , que vai fazer parte do consórcio para administrar a Transnordestina, foram decisivas para o governo autorizar o reinício da obra. O presidente do Sindugesso, Josias Inojosa, conseguiu a unanimidade entre os 380 empresários que exploram jazidas de gipsita no Araripe ? todos concordaram em ajudar e a entidade vai contribuir com 50 milhões de dólares para aquisição de material rodante. A idéia para se construir a ferrovia ligando os Sertões do Cariri e do São Francisco ao litoral é antiga, data do Império, quando Dom Pedro II chegou a contratar o estudo de engenharia e impacto ambiental. Mais de cem anos depois, quando a região se transformou no maior pólo de fruticultura do País, o projeto será retomado ? foi paralisado há mais de dez anos devido às denúncias de desvio de verba. Agregando valores, o que apressou a decisão do governo federal em autorizar o reinício da obra, o Pólo Gesseiro é o mais novo filão econômico do Nordeste, com previsão de exportação de 1,5 milhão de dólares, este ano, só para a Europa (o gesso é usado largamente na indústria hospitalar). O projeto da Transnordestina tem 916 quilômetros de extensão e, na verdade, serão construídos apenas 300 novos quilômetros de ferrovia ? os 616 quilômetros restantes já existem, fazem parte do espólio da extinta Rede Ferroviária Federal. A linha que parte de Salvador e do porto baiano de Aratu segue até Juazeiro, à margem do Rio São Francisco, que se liga à cidade pernambucana de Petrolina, à margem oposta. Daí para Salgueiro é que será construído o trecho novo; lá haverá o entroncamento ferroviário para Recife, Teresina, São Luis, Fortaleza, Natal e João Pessoa. Além dos industriais do Pólo Gesseiro do Araripe, que vão contribuir com 50 milhões de dólares, o governo federal se comprometeu a liberar 60 milhões de dólares, o Fundo de Investimento do Nordeste ? Finor ? entrará com 59 milhões de dólares e a CFN, que lidera o consórcio que arrematou a Rede Ferroviária, outros 50 milhões de dólares. Os recursos destinados à obra, no Plano Plurianual de Investimentos (PPA), são de 216 milhões de dólares até 2003.