REESTRUTURAÇÃO
Número de empresas em recuperação judicial bate recorde
Em Alagoas, mais de 80 companhias entraram com pedido de reorganização financeira no ano passado, um aumento de 7%


O número de empresas em recuperação judicial no Brasil somou 5.680 no ano passado, um crescimento de 24,3% na comparação com 2024, segundo levantamento divulgado na quinta-feira (5), pela RGF Consultoria, empresa brasileira especializada em reestruturação empresarial, estratégia e gestão financeira.
De acordo com os dados, elaborados com base em informações oficiais da Receita Federal, em Alagoas 81 empresas entraram em recuperação judicial no ano passado, um crescimento de 7% ante o volume registrado em 2024.
Segundo o estudo, estes dados possibilitam uma leitura dos mercados sob estresse financeiro, com atualizações trimestrais e séries históricas iniciadas em 2023, consolidando-se como uma ferramenta de referência para a formulação de políticas públicas, estudos econômicos e análises de crédito corporativo.
O levantamento também revela que, somente no último trimestre, 510 empresas brasileiras buscaram o Judiciário para se reestruturar — outro número sem precedentes, com crescimento de 7,5% ante os três meses anteriores.
O valor dos passivos também cresceu. As dívidas declaradas por essas 510 empresas somam R$ 40 bilhões, mais do que o dobro dos R$ 16 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025. Quase metade desse montante decorre do passivo da indústria petroquímica Unigel, de R$ 19 bilhões, que pediu recuperação em outubro do ano passado.
Apesar do aumento expressivo, a quantidade de empresas em reestruturação na Justiça é minoria em relação ao total do país: 2,13 a cada mil ativas, mostra o Índice RGF de Recuperação Judicial (IRJ-RGF). A crise é ainda mais acentuada no setor da agropecuária (13,53), seguido da indústria (6,74) e infraestrutura (4,11). Abaixo da média nacional estão o comércio (1,81) e serviços (1,02).
O Estado com maior alta anual de CNPJs insolventes foi o Mato Grosso do Sul: cresceu 84% em relação a 2024, somando 68 companhias ao fim de 2025. Apesar do aumento, o IRJ-RGF do Mato Grosso do Sul ainda está abaixo da média nacional, em 1,96. Os segmentos com mais empresas em crise no Estado são do agronegócio: cultivo de soja (31,6) e criação de bovinos (5,3). As regiões com maior crescimento anual foram o Sudeste (33%), Sul (28%) e Norte (27%).
Segundo especialistas, a principal causa alegada pelas empresas que pediram a proteção na Justiça ainda é a elevada taxa básica de juros, a Selic, o que pressiona o caixa e encarece o custo da dívida. Citam ainda dificuldade no acesso a crédito, mais restrito desde a fraude da Americanas em 2023 — e tudo indica, acrescentam, que a situação deve piorar, pelo rombo bilionário causado pelo Banco Master, que vai obrigar os grandes bancos a aportar bilhões de reais no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
ENDIVIDAMENTO
Outro levantamento, feito pela Serasa, revela que a inadimplência entre as empresas brasileiras bateu novo recorde em 2025, atingindo 8,9 milhões de CNPJs, o maior número desde o início da série histórica. Juntas, elas somaram mais de R$ 210,8 bilhões em dívidas negativadas. Em Alagoas, esse volume soma 79.893 empregas – o sétimo menor do Brasil, segundo o estudo.
