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Economia

Em busca de um mundo sustent�vel

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O hotel investiu em energia solar e reciclagem de lixo. A fabricante de cosméticos criou o programa carbono neutro, que resultou em um processo de produção mais limpo. A rede de supermercados incentiva os clientes a abandonarem as sacolas plásticas na hora das compras. A agroindústria cultiva cana-de-açúcar orgânica e incentiva a comunidade local a ter alimentos saudáveis por meio de uma horta sem agrotóxicos. São ações geralmente simples, mas que repercutem de forma profunda e duradoura na sociedade. As iniciativas citadas são exemplos de como empresas brasileiras e alagoanas incorporaram em suas rotinas medidas sustentáveis. Conceito muito em voga nos últimos anos, a sustentabilidade envolve ações econômicas aliadas a práticas socioambientais e reflete a preocupação com o futuro. Em tempos de crise mundial, o fundamento passa por um ?teste de estresse? e mostra que, em busca de rentabilidade e boa imagem, as companhias reavaliam o ser sustentável. ### Cobrança de consumidor ajuda a consolidar ações O consumidor é peça fundamental nesta engrenagem de ações sustentáveis. E os empresários sabem disso. Um cliente exigente, que procura saber como sua marca favorita contribui para conservar o meio ambiente e melhorar a vida da população com ações sociais, é um ótimo incentivo à sustentabilidade. O empresário Carlos Gomes já recebeu hóspedes que escolheram o Hotel Ciribaí por causa das ações sustentáveis aplicadas no empreendimento. ?Os hóspedes comentam nossas medidas sustentáveis. Certa vez, uma cliente do Mato Grosso fez questão de dizer que, durante a estada dela, observou nosso trabalho e comprovou que estávamos de acordo com tudo o que havíamos divulgado sobre a sustentabilidade?, conta Gomes e acrescenta: ?E ela sabia do que estava falando, pois é uma ambientalista?. Os jovens também costumam reparar nas iniciativas colocadas em prática no hotel. Segundo o empresário, adolescentes perguntam sobre os cartazes colocados nas dependências do prédio, que incentivam o uso racional da água e da energia elétrica, por exemplo. ### Campanha inédita evita que 2,3 mi de sacolas virem lixo O que faz uma empresa ser sustentável e outra não? Para o engenheiro mecânico e diretor-executivo da Academia Tecnológica de Sistemas de Gestão (ATSG), Rogério Meira, a principal diferença está no processo de tomada de decisões. Ele explica que as empresas sustentáveis procuram avaliar os ?impactos de suas ações sob três diferentes perspectivas: a ambiental, a econômica e a social?. ?O mundo está cada vez mais percebendo algumas coisas óbvias, como o fato de o planeta ser finito e um só. Não existe o conceito de se ?colocar alguma coisa fora?. Fora de onde? Por isso, a necessidade que os ciclos de vida dos produtos sejam analisados: desde a extração da matéria-prima da natureza, até que esse produto para a natureza retorne, após cumprir a sua vida útil?, destaca e acrescenta: ?Os enfoques de curto prazo, as abordagens parciais de problemas, sem olhar o ?todo?, e crenças que desenvolvimento deve ser estimulado a qualquer custo ? ambiental e social ? hoje não respondem mais aos desafios que se apresentam?. ### Menos emissão de CO2 na natureza Mas não são apenas as grandes companhias que investem em sustentabilidade. Em Alagoas, um dos exemplos mais bem-sucedidos vem do Hotel Ciribaí, que em tupinambá significa ?lugar bonito?. Aberto há cerca de 11 anos pelo engenheiro químico Carlos Gomes, o empreendimento participou do projeto-piloto do Sebrae/AL Produção Mais Limpa e chamou a atenção dos consultores. ?Eles ficaram surpresos pelas medidas sustentáveis que já adotávamos aqui?, lembra Gomes. Em 2002, o hotel passou por uma ampliação e junto com as obras veio a consolidação de várias ações. Para reduzir o consumo de energia elétrica foram instalados aquecedores solares, lâmpadas fluorescentes no lugar das incandescentes e telhas translúcidas em pontos estratégicos, que ajudam a manter a luminosidade tão característica do Nordeste em alguns ambientes do hotel. ?Para economizar água e também energia, deixamos que o cliente escolha quando quer que as toalhas sejam lavadas. Assim também reduzimos a emissão de água poluída para o meio ambiente?, destaca Gomes, lembrando que atualmente a lavagem diária de toalhas caiu quase pela metade. ### Consumo desenfreado ameaça planeta Em entrevista à Gazeta, a gerente de operações e porta-voz do Instituto Akatu, Heloisa Torres de Mello, fala sobre consumo consciente no Brasil e no mundo e como cada um de nós é peça fundamental na conservação do meio ambiente. A porta-voz dá dicas de como evitar o desperdício e faz um alerta: ?Se não houver mudança nos padrões de consumo e produção, em menos de 50 anos já serão necessários mais de dois planetas Terra para atender às nossas necessidades de água, energia e alimentos?. A seguir os principais trechos da entrevista concedida por e-mail. *** Gazeta ? O que é o Instituto Akatu e quais as ações que ele desenvolve? Heloisa Torres de Mello ? Criado em 15 de março de 2001 [Dia Mundial do Consumidor], o Instituto Akatu é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente. A palavra ?Akatu? vem do tupi e significa ?semente boa? e ?mundo melhor?, traduzindo a ideia de que o mundo melhor está contido nas ações de cada indivíduo. O trabalho do Instituto é focado na mudança de comportamento do consumidor. Para isso, o Akatu desenvolve ações em duas frentes de atuação, para sensibilizar e mobilizar os indivíduos, a fim de que se tornem consumidores conscientes: a comunicação e a educação. O trabalho de comunicação é realizado por meio da internet, de empresas disseminadoras, da publicidade e da mídia, no sentido de divulgar o conceito e as práticas do consumo consciente. A mídia é uma das grandes aliadas na difusão do consumo consciente. Por isso, o Akatu busca continuamente estreitar os laços e estabelecer parcerias com os meios de comunicação, para que usem sua credibilidade a fim de informar, educar e despertar a consciência dos indivíduos, a partir de entrevistas, artigos e reportagens sobre o consumo consciente. Além do espaço editorial, o Akatu divulga sua causa por meio da publicidade, com o objetivo de atingir os consumidores em larga escala e com mensagens mobilizadoras. Isso é feito pela divulgação de campanhas veiculadas na mídia impressa e eletrônica. Desenvolve também projetos de educação junto a comunidades, funcionários de empresas e instituições de ensino e do terceiro setor. Este trabalho é realizado por meio de palestras de sensibilização e da capacitação de formadores de opinião, para serem multiplicadores da causa. O Akatu também realiza a sistematização dos conteúdos, materiais, metodologias e processos já utilizados para que a experiência adquirida em projetos possa ser reaplicada em larga escala. ### Crescimento econômico responsável Na agroindústria Brejo dos Bois, no povoado Chã do Meio, em Junqueiro, o trabalho de conscientização envolve a comunidade do entorno da propriedade. Cultivando a cana-de-açúcar de forma orgânica, o empresário Lenildo Amorim da Silva repassou a experiência aos pequenos produtores. E nas palavras dele: ?Enquanto a Brejo dos Bois crescia, também estimulava o desenvolvimento ao seu redor?. O empresário conta que, após a fase inicial de implantação, manejo orgânico e da primeira colheita da cana, no fim de 2007, a agroindústria idealizou um projeto para inserir a comunidade local no empreendimento, tendo como objetivo ?a qualidade de vida daquelas pessoas?. ### Empresas entre o lucro e práticas verdes Em tempos de crise, com cortes em orçamentos e demissão de empregados, os empresários repensam a sustentabilidade. Alguns deixam de lado o conceito e se voltam totalmente para o lucro, como fez a petrolífera Shell ao anunciar, em março, que estava deixando de lado os investimentos em energia renovável em prol de aplicações no que fosse mais rentável. Outras, ao contrário, consolidam suas práticas verdes e dão lição de sustentabilidade. Pesquisa do International Business Report (IBR), estudo da Grant Thornton International, representada no Brasil pela Terco Grant Thornton, mostra que se tivessem de optar entre preservar o meio ambiente ou manter a rentabilidade dos seus negócios, os empresários brasileiros ficariam divididos: enquanto 47% afirmam que preferem não perder a rentabilidade, 43% garantem que adotariam práticas verdes, mesmo que isso prejudicasse o desempenho de suas empresas. ### Mudança de paradigma deve ser longa e difícil Para Wanderlei Ferreira, no entanto, essa mudança de paradigma sobre práticas verdes deve ser longa e difícil. ?Mas, no fim, aquelas empresas ainda não conscientes da preservação do meio ambiente mudarão seu comportamento?. Alex MacBeath, líder global da Grant Thornton International para serviços a PHBs, diz que a pesquisa mostra claramente que há muitos países preocupados em conservar o meio ambiente. ?O lucro não é, claramente, o único fator que conduz as práticas empresarias, então nós devemos incentivar os empresários a ter empresas sustentáveis?, afirma. ///

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