CAPITAL ALAGOANA
Nível de consumo de famílias registra queda de 11 pontos em um ano em Maceió
Maior variação é percebida entre classes média e baixa, com renda de até 10 salários, aponta Fecomércio


O nível de consumo das famílias na capital alagoana segue em queda pelo oitavo mês consecutivo, segundo pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias realizada pela Fecomércio-AL. De fevereiro de 2025 ao mesmo mês deste ano, foram 11 pontos perdidos no intervalo de um ano, aproximando-se do nível de insatisfação dos consumidores. A maior variação, no entanto, é percebida entre as classes média e baixa, com renda de até 10 salários mínimos por família, enquanto os lares que ultrapassam essa marca se sentem mais estáveis economicamente.
A pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Estado de Alagoas reflete a visão das famílias maceioenses acerca da atual situação econômica do país. O índice, que pode variar de 0 a 200, mede o grau de satisfação (maior que 100) e de insatisfação (menor que 100) dos consumidores. A série histórica do ICF registra média geral de 113,7 pontos em fevereiro do ano passado. Em fevereiro deste ano, Maceió registrou perda de 11 pontos, resultando em apenas 102,5.
“Embora o índice ainda permaneça ligeiramente acima da linha dos 100 pontos, que tecnicamente delimita a zona de satisfação, o movimento evidencia enfraquecimento consistente da confiança das famílias”, observa o assessor econômico do Instituto Fecomércio, Lucas Sorgato.
Demais estatísticas revelam um sentimento de estabilidade por parte do consumidor. A impressão do maceioense em relação à situação atual do emprego é de que 35,6% se sentem mais seguros, enquanto 15,4% se sentem menos seguros e 45,9% acreditam que não houve mudança no intervalo de um ano.
Tratando de crescimento profissional, o cenário é de positividade. A perspectiva de 44,5% dos entrevistados é de melhora nos próximos seis meses. Já 23,4% creem que não haverá mudança para melhor, e 32,1% não souberam responder.
Um dos fatores mais sensíveis aos consumidores é a renda. Para 51,3%, a renda atual permanece na mesma média de 12 meses atrás, enquanto 31,2% afirmaram ter registrado melhora e 17,4%, piora. Nessa comparação, as famílias com renda mensal de até 10 salários mínimos e as que excedem esse valor apresentam grande diferença de percepção nesse intervalo de tempo. Entre os lares com até 10 salários mínimos, 28% informaram melhora e 18,4%, piora, enquanto 80,5% das famílias com mais de 10 salários mínimos registraram melhora e apenas 2,4%, piora.
“A capital alagoana acompanha a tendência nacional de moderação da confiança, mas com maior volatilidade. Economias regionais com renda média mais baixa tendem a reagir de forma mais intensa às oscilações de crédito e inflação, o que amplifica os movimentos do índice local”, explica Sorgato.
O mesmo padrão de oscilação nas estatísticas da pesquisa pode ser identificado no nível de consumo atual. De forma geral, 40,8% acreditam estar comprando menos produtos com a mesma renda de um ano atrás. Outros 34% dizem estar na mesma situação e 25,3% afirmam estar comprando mais. Quando os dados são separados por renda familiar, as famílias com ganhos de até 10 salários mínimos parecem ser as mais afetadas. Apenas 22% dizem estar comprando mais, enquanto 42,7% afirmam estar comprando menos. A situação se inverte nos lares com renda mensal acima de 10 salários mínimos, que registram 74,4% de percepções de estar comprando mais e apenas 12,2% de estar comprando menos.
Para as classes média e baixa, a perspectiva para os próximos meses é bastante dividida. 41,3% se mostraram otimistas em relação ao futuro, acreditando em melhora, enquanto 43,6% têm uma visão pessimista e creem que a situação pode piorar ainda mais. Apenas 13,3% acham que as coisas continuarão como estão.
*Sob supervisão da Editoria
