loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 11/03/2026 | Ano | Nº 6177
Maceió, AL
25° Tempo
Home > Economia

PREÇOS EM ALTA

Cesta básica de Maceió registra 4ª maior alta do Brasil em fevereiro

Pesquisa da Conab e Dieese aponta que o conjunto de produtos custa R$ 603,92 na capital alagoana; tomate puxou o aumento

Ouvir
Compartilhar
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Whatsapp
Tomate foi ‘vilão’ da inflação em Maceió, com alta de 18,72%
Tomate foi ‘vilão’ da inflação em Maceió, com alta de 18,72% | Foto: Ailton Cruz

O custo da cesta básica em Maceió registrou alta de 1,87% no mês de fevereiro de 2026, atingindo o valor de 603,92 reais. O avanço nos preços locais seguiu tendência nacional, já que o conjunto de alimentos essenciais ficou mais caro em 14 das 27 capitais brasileiras pesquisadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No acumulado dos dois primeiros meses do ano, a capital alagoana já registra uma alta de 2,41%.

Apesar do reajuste mensal, Maceió mantém posição favorável no ranking nacional, sendo a terceira capital com a cesta mais barata do país. A cidade fica atrás apenas de Aracaju (562,88 reais) e Porto Velho (601,69 reais). No outro extremo da tabela, São Paulo lidera com o conjunto de alimentos mais caro do Brasil, custando 852,87 reais, seguido pelo Rio de Janeiro, com 826,98 reais.

Para comprar a cesta básica, o cidadão remunerado pelo salário mínimo de 1.621,00 reais precisou dedicar 81 horas e 58 minutos de jornada em fevereiro. Em janeiro, o tempo exigido era de 80 horas e 28 minutos. O comprometimento da renda para a alimentação básica subiu de 39,54% para 40,28% no período.

A análise detalhada dos produtos revela que o tomate foi o principal responsável pela inflação em Maceió, com alta de 18,72% em apenas um mês. Outros itens que pressionaram o índice incluem o feijão carioca, com 5,66%; a farinha de mandioca, com 3,52%; a carne bovina de primeira, com 1,57%; e o pão francês, com 0,13%. A alta do feijão decorre da oferta restrita, causada por dificuldades de colheita e pela menor área de produção, enquanto a carne permanece valorizada devido à baixa disponibilidade de animais prontos para o abate e ao forte desempenho das exportações.

Em contrapartida, sete itens da cesta em Maceió registraram queda. As reduções mais expressivas ocorreram no arroz agulhinha, com recuo de 3,13%; no leite integral, com menos 3,11%; na banana, com baixa de 3%; e no açúcar cristal, com queda de 2,16%. O óleo de soja também ficou mais barato, recuando 1,92%, devido ao excesso de oferta do grão e à valorização do real frente ao dólar, o que reduziu a competitividade da soja brasileira no mercado externo.

O cenário futuro preocupa o governo federal devido à instabilidade internacional. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, manifestou receio de que a escalada de conflitos, sobretudo no Oriente Médio, impacte os preços no Brasil. O temor é que uma eventual alta no petróleo eleve os custos de produção e transporte, enquanto um dólar mais forte encareça fertilizantes e produtos cotados em moeda americana, como carne, soja e milho.

Por fim, o levantamento reforça o abismo entre o salário mínimo atual e o necessário para sustentar uma família de quatro pessoas, conforme prevê a Constituição. Com base na cesta mais cara do país, estima-se que o mínimo ideal fosse de 7.164,94 reais em fevereiro. Isso representa 4,42 vezes o piso vigente de 1.621,00 reais, evidenciando o desafio contínuo do trabalhador para suprir despesas básicas que vão além da alimentação, como moradia, saúde, educação e transporte.

Relacionadas