Economia
Setor torce por nova prorroga��o do IPI
O prazo estabelecido pelo governo federal para efeito do Decreto nº 6.687, que isentou o setor automobilístico da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em veículos novos de linha popular, termina na próxima terça-feira. Animado com os resultados, o segmento alimenta a expectativa de que o governo prorrogue mais uma vez o incentivo ou reduza definitivamente o imposto, que sobrecarrega em 7% o custo do veículo de motor 1.0 e em até 13% os outros modelos. A medida, que começou a vigorar em dezembro do ano passado, quando o setor automobilístico estava à beira de um precipício, empurrado pela crise financeira internacional, teria validade por três meses, inicialmente, mas foi prorrogada até o dia 30 de junho, graças à reação positiva imediata do mercado. Agora, enquanto a decisão do governo não é anunciada, empresários do setor comemoram com euforia os resultados da medida nas vendas dos últimos seis meses e torcem para que o incentivo continue. ### Detran também registrou alta nos emplacamentos Os números do Detran confirmam o que os empresários afirmam. É por lá que passam, obrigatoriamente, todos os veículos para licenciamento. No primeiro semestre de 2009 ? até o último dia 20 ? foram realizados 18.916 emplacamentos de novos veículos. Em 2008, até o fim de junho, foram feitos 18.311. A diferença é pequena, mas aponta um saldo positivo de 605 novos veículos este ano, em relação ao ano passado, contrariando as perspectivas negativas. Bem melhor do que o esperado. Até porque o ano de 2008, apesar de ter sido considerado um ano difícil, com queda de 7,2% na média de vendas de automóveis no mundo inteiro, o Brasil fechou no topo da lista de melhor desempenho no crescimento de vendas de automóveis, com índice positivo de 14,2% em relação ao ano de 2007. ### Redução de imposto ajuda empresa, mas penaliza Estados Se a redução do IPI causou impacto imediato na recuperação do mercado de carros novos, para os usados a senha positiva demorou a chegar. Segundo Vanderlei Pietro, diretor comercial do Autoshopping, e proprietário de duas lojas de veículos usados, o começo chegou a ser desesperador, sobretudo porque, no ano passado, junto com a explosão da crise no mercado brasileiro ? e como consequência dela ? houve também uma retração dos bancos, que tornaram-se muito mais restritivos em relação à concessão de créditos para financiamento. ?O último trimestre do ano foi muito ruim. A crise criou um reflexo psicológico muito negativo. As pessoas ficaram com medo de arriscar e a dificuldade de crédito agravou essa situação?, lembra Pietro. ### Mercado de novos pode melhorar mais O momento, agora, é de expectativa para todos, e ninguém arrisca um palpite sobre o que virá a partir da próxima quarta-feira, se o governo realmente suspender o incentivo. A opinião do economista Cícero Péricles é de que o Decreto nº 6.687 não tem vida longa, mas o empresário Luiz Romero está bem mais otimista. ?Não acredito que o governo vai mexer com uma coisa que está dando certo. Acho que o imposto não será reinserido agora, e se houver mudança, acho que ele será fracionado. Ficou claro o peso que o IPI tem no preço e no bolso do consumidor?, observa ele. ///