EFEITO CASCATA
Alta do diesel vai gerar impacto na inflação, avaliam economistas
Especialistas ouvidos pela Gazeta acreditam que aumento autorizado para distribuidoras provocará “efeito cascata”


O aumento do preço do diesel vendido às distribuidoras, em vigor desde o último fim de semana, deve gerar impacto na inflação e provocar um “efeito cascata” na economia de Alagoas, segundo avaliação de economistas ouvidos pela Gazeta. Com o reajuste, o preço médio do combustível passa a ficar em torno de R$ 3,65 por litro, alta de R$ 0,38 por litro. A última mudança no valor ocorreu em maio de 2025.
Como o transporte rodoviário do país consome combustíveis fósseis, sobretudo diesel e gasolina, o aumento no preço do diesel tende a impactar diretamente o valor do frete. “O governo federal está tentando reduzir custos com corte de impostos federais. Mas há essa guerra que está se acirrando e pode se tornar uma guerra de resistência, o que pode durar muito tempo. Se durar, o preço do petróleo vai subir ainda mais e isso vai realmente impactar a inflação de modo geral”, alerta o economista Chico Rosário.
O economista afirma que ainda é cedo para saber qual será o impacto exato na inflação, mas considera certo que haverá reflexos no transporte, nos alimentos e também em derivados do petróleo. “Não apenas nos combustíveis. A maioria dos produtos hoje contém plástico, então uma série de outros itens derivados do petróleo também será afetada e terá impacto nos preços”, explica Rosário.
“Qualquer aumento no valor do diesel faz com que Alagoas sofra impacto muito mais rápido do que outros estados, porque quase tudo que consumimos é trazido de outras regiões. Como estamos afastados de alguns centros produtores, o preço do frete pesa muito, principalmente no valor final nas gôndolas”, afirma o economista Renan Laurentino.
Segundo avaliação de Laurentino, o reajuste impactará tanto grandes produtores quanto o pequeno consumidor. “As grandes lavouras e fazendas também sofrem, porque, embora não comprem o diesel no porto, elas compram diretamente da distribuidora. E, se o preço aumenta na distribuidora, com certeza aumentam os custos da plantação e do cultivo. Esse custo é repassado ao distribuidor, depois ao varejista e, por fim, chega ao consumidor. É um efeito cascata, sem sombra de dúvida”, completa o economista.
Em nota à imprensa divulgada na semana passada, a Petrobras informou que o impacto do reajuste para o consumidor final, nos postos, será reduzido em razão da diminuição de impostos e da subvenção aos produtores, anunciadas nesta quinta-feira (12) pelo governo federal.
“É isso que precisamos: diminuir a dependência do petróleo, da gasolina e do óleo diesel. Nós temos recursos e tecnologia para isso. Então por que não avançar? Essa é a questão. Já poderíamos ter resolvido isso. O carro elétrico já é uma realidade na nossa cidade e nós somos produtores de cana-de-açúcar — somos o terceiro maior produtor e o primeiro em etanol. Por que não ampliar isso?”, questiona o economista.
