Economia
D�lar encerra o m�s com valoriza��o de 23%
São Paulo ? Com o fechamento do dólar ontem a R$ 3,47, a moeda norte-americana encerra um mês turbulento com valorização de 23% - mais do que em toda a alta do primeiro semestre. No ano, o dólar já subiu 49,95%. Ontem, o dólar encerrou em alta de 5,15%, a R$ 3,47 para venda e R$ 3,46 para compra. O Banco Central interveio duas vezes no câmbio vendendo dólares à vista, segundo operadores, mas a medida teve efeito apenas momentâneo. O montante vendido foi estimado pelo mercado em US$ 300 milhões, bastante acima dos US$ 50 milhões da intervenção rotineira. Ontem, o BC informou que manteria as intervenções diárias de, pelo menos, US$ 50 milhões, mas deixou espaço aberto para utilizar volumes maiores caso precisasse. Na máxima do dia, a moeda chegou a estratosféricos R$ 3,61. Na sexta-feira, o dólar podia ser comprado a R$ 3,015, seu primeiro fechamento acima de R$ 3. Agora, a cotação soma oito recordes consecutivos, registrando sucessivamente seu maior valor desde a criação do real, em julho de 1994. Briga pela Ptax A briga pela formação da Ptax (taxa média calculada pelo Banco Central) do último dia do mês, que determina quem ganha e quem perde nos contratos de dólar para agosto na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) colocou o mercado em um cabo-de-guerra que provocou intensa volatilidade. A escalada das últimas semanas é atribuída pelos analistas à falta de liquidez no mercado, causada tanto pela crise de confiança dos investidores externos, abalados com os escândalos contábeis em seus próprios países, como pela piora da percepção de risco do país no exterior diante das incertezas sobre a economia após a transição presidencial, em janeiro. O risco-país brasileiro, que na terça-feira subiu mais de 10%, ontem recuou 4,3% para 2.228 pontos. Expectativa Apesar do nervosismo que marcou o mês de julho no mercado, a expectativa é que para agosto a tensão diminua. Além da possibilidade de um novo pacote de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), haverá menos dívidas de empresas vencendo no exterior. Caso o FMI libere um pacote - uma missão brasileira está em Washington para negociar - a expectativa é que o dólar chegue ao fim do ano abaixo dos R$ 3, nível atingido pela primeira vez na última quinta-feira durante o dia. Bovespa A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta pelo terceiro dia consecutivo. Subiu 4,50% a 9.762 pontos, com giro financeiro de R$ 786,850 pontos. Com o resultado, a Bolsa paulista já acumula ganhos de 5,9% nesta semana, mas perdas de 12,36% no mês e de 28% no ano.