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COMBUSTÍVEL

Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em 55%

Alta reflete escalada do preço da cotação internacional após início da guerra no Irã

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Avião é abastecido com combustível no aeroporto de Brasília
Avião é abastecido com combustível no aeroporto de Brasília | Foto: — Divulgação

A Petrobras confirmou nessa quarta-feira (1) reajuste de 55% no preço do QAV (querosene de aviação), em repasse da escalada das cotações internacionais após o início da guerra no Irã. A estatal, porém, anunciou um plano de parcelamento do reajuste para reduzir o impacto sobre o setor.

A percepção de que o reajuste do QAV viria acima dos 50% preocupava o setor e levou o MME (Ministério de Minas e Energia) a pedir ao Ministério da Fazenda a redução de alíquotas de impostos federais, como foi feito com o óleo diesel. O governo estuda também um pacote de medidas de socorro.

Parte da solução, porém, foi anunciada pela própria Petrobras: no início da tarde desta quarta, a empresa comunicou a abertura de um prazo para que empresas aéreas possam aderir a um programa de parcelamento do reajuste.

As empresas interessadas podem ter reajuste de 18% em abril e parcelar o restante em seis meses, com a primeira parcela a partir de julho de 2026.

"Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", disse a Petrobras, em nota divulgada nesta quarta.

O instrumento, prossegue o texto, "contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva neutralidade financeira para a Petrobras".

Diferentemente de combustíveis automotivos como gasolina e o diesel, o querosene de aviação é reajustado uma vez por mês, seguindo fórmula que acompanha a variação das cotações internacionais do petróleo. É mais difícil, portanto, que a diretoria da estatal justifique represamento de preços.

O produto representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas, segundo a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) e forte impacto no preço das passagens.

Como mostrou a Folha, o governo Lula (PT) está em vias de anunciar um conjunto de medidas para tentar conter os efeitos da alta do querosene de aviação, em meio à escalada do preço internacional do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio.

Está prevista a oferta de uma linha de crédito emergencial com recursos do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil), voltada à aquisição de combustível pelas companhias aéreas, numa tentativa de aliviar a pressão imediata sobre os custos do setor.

Segundo o MME, o corte de PIS e Cofins envolveria a redução de tributos federais que hoje somam até R$ 71,20 por metro cúbico de QAV, impostos cobrados tanto na importação quanto na comercialização do produto.

Na prática, a intenção é baratear o custo do combustível para as companhias aéreas, reduzindo a pressão sobre as tarifas e evitando repasses ao consumidor final devido à escalada de conflitos no Oriente Médio.

REPERCUSSÃO

O reajuste deverá ter “consequências severas” na aviação civil, especialmente na abertura de novas rotas e ofertas de serviços. A avaliação é da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa as principais companhias aéreas do país.

Segundo a entidade, com o reajuste, somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas.

“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, diz a Abear.

A entidade explica que, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional.

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