Economia
Real impulsionou neg�cios em AL
Alguém recorda como estava a economia do País em junho de 1994? Falando assim, muita gente pode nem se lembrar. Mas, se mudarmos a referência de data para ?antes do Plano Real?, certamente toda uma massa produtiva, que à época trabalhava, empregava, ou tinha qualquer tipo de responsabilidade financeira, vai lembrar: as contas estavam muito mal, devido a um dragão feroz chamado inflação, que devorava tudo: salários, investimentos e poder de compra de ricos e pobres. Pois é, este ano, no dia 1º de julho, o Real, que é saudado pelo economista José Maria Porto Sobrinho como ?o plano mais engenhoso de combate à inflação já utilizado no Brasil?, completou 15 anos. É um adolescente vigoroso, que debuta em um cenário bem mais confortável e estável do que o berço em que ele nasceu. ### Baixa renda foi beneficiada A possibilidade de planejamento financeiro adquirida com o Plano Real é exatamente um dos pontos mais positivos destacados pela economista Ana Célia de Oliveira Prado ? professora da FAL e consultora empresarial. Na sua avaliação, o plano lançado em 1994 representou para a economia brasileira avanços significativos, porque com o controle da inflação, tanto as pessoas como as empresas passaram a poder planejar os seus gastos mensais e pensar em investir, comprar a prazo, planejar viagens e outras situações que envolvem dinheiro. Quem mais ganhou com o Plano Real, na sua avaliação, foi a classe de renda mais baixa. ?Com a hiperinflação existente naquela época, o dinheiro perdia valor muito rápido e essas pessoas, que não tinham acesso a contas e investimentos remunerados, viam o dinheiro se depreciar rapidamente. Para elas, o Plano Real trouxe um aumento de poder aquisitivo?, reflete. ### Plano foi recebido com desconfiança no início A desconfiança inicial com o sucesso do Plano Real, citada pelos representantes da Aliança Comercial, era justificável. Entre os anos 80 e início dos anos 90, o Brasil se transformou num verdadeiro laboratório de experiências desastrosas em relação à economia. Em menos de 30 anos, a geração que nasceu no início da década de 60 conviveu com nada menos que sete mudanças de moeda, todas motivadas pela instabilidade econômica provocada pela hiperinflação. Desde a chegada da família real ao Brasil, em 1808, até 1965, apenas duas moedas tinham vigorado no País: o Real, implantado por Dom João VI no Brasil, valeu até 1942, quando foi substituído pelo Cruzeiro, que durou até 1965. ### Investimento passou a ser planejado O presidente da Associação dos Empresários do Polo Industrial Governador Luiz Cavalcanti (Adedi), Gilvan Leite, destaca como principal ganho da mudança econômica a capacidade de investir de forma planejada. Ele lembra que o setor industrial foi um dos que mais sofreram com a instabilidade econômica que se acentuou na década de 80 e início da década de 90, exatamente pela impossibilidade de planejar. ?Era um transtorno. Não tinha como investir em modernização porque não havia como planejar, nem em curto prazo. Era um mundo irreal. Na virada de cada mês, tinha que sair comprando muito para evitar o aumento do dia seguinte e não tinha como fazer capital de giro?, recorda o empresário. ### Problemas antigos ainda persistem No começo do Plano Real, nem tudo foram flores. Em artigo publicado pelo economista Paulo Passarinho, presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro, no site da instituição, ele avalia que a entrada em vigor do Real consolidou uma nova fase de integração financeira do País com os circuitos internacionais, e que a paridade de um para um da nova moeda com o dólar, aliada à forte redução das alíquotas de importação e à remoção de mecanismos que dificultavam o avanço da liberalização financeira tiveram a capacidade de reduzir de forma significativa as taxas internas de inflação. ///