RECURSOS HÍDRICOS
Canal do Sertão amplia impacto no semiárido e expõe desafios técnicos
Obra já beneficia mais de 2 mil famílias de agricultores e pequenos criadores de municípios sertanejos
A expansão do Canal do Sertão Alagoano entra em uma nova etapa, combinando avanços estruturais e desafios técnicos para consolidar o desenvolvimento agrícola no semiárido. A obra, iniciada em 1990, durante o governo de Fernando Collor, já soma 123,4 quilômetros entregues em quatro trechos, de um total previsto de 250 quilômetros.
Considerada a maior intervenção hídrica em andamento no país, o canal já beneficia mais de 2 mil famílias de agricultores, pequenos criadores de animais e moradores de cidades sertanejas, garantindo acesso à água em uma região historicamente marcada pela escassez.
O impacto econômico é visível sobretudo na agricultura familiar, que passou a investir na fruticultura e na produção de hortifruti, além de garantir o abastecimento de rebanhos e centros urbanos. Municípios como Delmiro Gouveia e Senador Rui Palmeira já sentem reflexos diretos da obra, que também contribui para a fixação das famílias no campo.
Segundo técnicos da Secretaria de Estado da Irrigação e Recursos Hídricos, o canal representa uma mudança estrutural na economia do Sertão, com potencial para alcançar mais de 1 milhão de pessoas em 42 municípios quando concluído.
Apesar dos avanços, agricultores e especialistas alertam que o uso da água exige planejamento rigoroso. Nem todas as áreas do Sertão são aptas à irrigação, especialmente devido à salinização do solo e às limitações climáticas do semiárido.
A identificação das chamadas “manchas verdes” – áreas com solo adequado e menor risco de degradação – é apontada como essencial. Além disso, há cobrança por maior acesso a tecnologias adaptadas e assistência técnica contínua, fatores considerados decisivos para evitar perdas produtivas e garantir sustentabilidade.
É nesse contexto que um seminário promovido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL) e pela Sociedade dos Engenheiros Agrônomos de Alagoas busca articular soluções.
Marcado para o dia 28 de abril, em Maceió, o encontro terá como foco o “Desenvolvimento Territorial por meio de Cultivos de Hortifruti na Zona de Influência do Canal Adutor do Sertão Alagoano”. A proposta é integrar iniciativas públicas e privadas, promovendo intercâmbio técnico e científico.
O evento ocorre paralelamente ao avanço do trecho V do canal, incluído no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) 3, com investimentos federais superiores a R$ 565,9 milhões. Essa etapa liga o km 123, em Senador Rui Palmeira, ao km 150, em Olho D’Água das Flores, gerando mais de mil empregos e impulsionando a economia regional.
No total, os investimentos federais na obra já ultrapassam R$ 2,5 bilhões, reforçando seu papel estratégico para o desenvolvimento do Nordeste, revelam os técnicos da secretaria de Estado de Infraestrutura, responsáveis pelo acompanhamento da execução do projeto.