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Braskem e Petrobras dão novo passo para a venda da petroquímica

Empresas informam que a parceria visa estabelecer novas diretrizes para a gestão compartilhada da companhia química

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Braskem deve ser administrada por fundo de investimentos
Braskem deve ser administrada por fundo de investimentos | Foto: — Foto: Ailton Cruz

Braskem e Petrobras deram mais um passo para a venda da fatia da petroleira ao fundo de investimento em participações Shine I. Na última quinta-feira (23), a estatal assinou com a gestora IG4 Capital um novo acordo de acionistas, com o objetivo ter o controle compartilhado em uma das maiores petroquímicas do mundo.

Além disso, a estatal afirmou que quer promover um aperfeiçoamento da governança na empresa ao lado da gestora IG4 Capital, que vai comandar a Braskem por meio do fundo de investimento Shine I. A Petrobras já vinha indicando, desde o ano passado, que seu objetivo era ter maior poder na gestão da petroquímica, que tem duas plantas em Alagoas.

Em comunicado ao mercado também na quinta-feira, a Braskem informa que a parceria visa estabelecer diretrizes para a gestão compartilhada da companhia química. Deixa claro, no entanto, que a implementação definitiva do pacto depende da conclusão de uma transação acionária específica e do cumprimento de certas exigências legais e autorizações judiciais.

Além disso, a Petrobras optou formalmente por não exercer seus direitos de preferência ou de venda conjunta durante este processo. O texto também inclui avisos legais sobre projeções futuras, ressaltando que os resultados reais podem variar conforme as condições de mercado e riscos operacionais.

Como a Gazeta mostrou, a entrada de um novo acionista controlador pode ajudar a melhorar as perspectivas da Braskem, que enfrenta margens apertadas no setor petroquímico e dívidas relacionadas aos danos causados pelas operações de mineração de sal em Maceió (AL).

Segundo o balanço de 2025, a dívida líquida da companhia superava os R$ 11 bilhões.

Em comunicado ao mercado na semana passada, o afundamento dos bairros em Maceió é citado como um fator que pode afetar os resultados financeiros, a condição econômica e as operações da Braskem. O documento alerta que qualquer mudança nas projeções sobre o impacto desse evento ou nos procedimentos legais relacionados pode fazer com que os resultados reais da empresa sejam significativamente diferentes das expectativas atuais.

Em fevereiro deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que o órgão leve em conta os impactos ambientais do desastre em Maceió na análise da troca de controle da Braskem. Na manifestação, o MPF afirma que o Cade deve ir além de uma análise estritamente concorrencial e considerar o passivo socioambiental da companhia como elemento relevante para avaliar a eficiência econômica da operação.

O documento cita o afundamento do solo causado pela exploração de sal-gema em Maceió, que levou à desocupação de bairros inteiros e afetou mais de 60 mil pessoas, e lembra que a Braskem firmou em 2025 um acordo de R$ 1,2 bilhão com o governo de Alagoas para indenizações ambientais.

Para o MPF, a reestruturação societária da empresa não pode isolar esses passivos em estruturas sem liquidez, sob risco de comprometer a reparação integral dos danos.

Segundo a Petrobras, o acordo com a IG4 inclui a obrigação de obtenção de consenso entre as partes em todas as deliberações do Conselho de Administração e da Assembleia Geral. A Petrobras terá ainda o direito de indicar número igual de membros para o Conselho de Administração e para a diretoria, em relação ao novo sócio.

*Com informações de agências.

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