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ALAGOAS 2050

Investimentos no setor energético são discutidos no Gazeta Summit

Evento reuniu autoridades para discutir os problemas atuais e viabilizar soluções

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Gazeta Summit Energia destacou potenciais do Estado no setor
Gazeta Summit Energia destacou potenciais do Estado no setor | Foto: Alisson Frasão

A Organização Arnon de Mello (OAM) promoveu, nesta terça-feira (28), mais uma edição do Gazeta Summit Alagoas 2050, levando ao debate o tema Energia e reunindo diversas autoridades no assunto para discutir os problemas atuais e pensar em soluções que possam viabilizar um futuro mais promissor e sustentável para o país e, de forma mais específica, para o estado de Alagoas.

O grande potencial para geração de energia do estado, a contratação de termelétricas a gás natural em Alagoas e a projeção de investimento de até R$ 10 bilhões no setor energético até 2032 foram pontos importantes levantados durante os painéis realizados ao longo da manhã.

O evento foi aberto pelo diretor-executivo da Gazeta de Alagoas, Luís Amorim, que afirmou que a discussão sobre o futuro energético do estado deixou o campo das projeções e entrou no terreno das decisões estratégicas. “Discutir energia hoje não é tratar de um setor isolado da economia. É definir o rumo do desenvolvimento, a capacidade de gerar oportunidades e o posicionamento de Alagoas diante de um mundo que já mudou”, ressaltou Amorim.

Para o diretor, o impacto da energia vai além da produção. Ele envolve uma cadeia ampla que inclui indústria, logística, inovação e qualificação profissional, com reflexos diretos na geração de empregos e na competitividade do Estado. E conectar esses atores e transformar o debate em encaminhamentos concretos é, justamente, o papel do Gazeta Summit. “O futuro da energia em Alagoas já começou. E ele não será construído por acaso”, disse.

PRODUZIMOS O DOBRO

A palestra magna de abertura do evento ficou por conta do reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Josealdo Tonholo, que destacou o grande potencial do estado para produção de energia limpa e criticou a forma como esses recursos têm sido geridos. Ele pontuou ainda que Alagoas produz cerca de duas vezes mais energia do que consome, ou seja, por aqui, há energia “de sobra”.

“Alagoas não corre risco de apagão local por falta de geração. Estamos em uma condição energética extremamente privilegiada. Temos muita energia renovável, muita energia sobrando nesse momento, mas com dificuldade de apropriar essa vantagem em favor da nossa gente, dos nossos empreendimentos”, pontuou o reitor.

Durante a palestra, o reitor da Ufal também posicionou Alagoas dentro do cenário brasileiro e mundial, apontando, por exemplo, percentuais como o de renovabilidade total, que é de 82,5%, enquanto no Brasil é de 49,1%, e, no mundo, de 14,7%; de produção de biomassa, que, em Alagoas, é de 51,3%, no Brasil, é de 19,1% e, no mundo, de 10%; e de hidrelétrica, que, no Estado, é de 31,2%, no Brasil, é de 12% e, no mundo, de 2,5%.

Ele também citou a energia como um insumo básico em qualquer processo de transformação e, por isso, com potencial para atrair inúmeros grandes negócios.

“Estamos mandando embora a energia sem se apropriar dela. Hoje, quase a totalidade do que exportamos é energia limpa. Somos superavitários em biomassa e em hidroeletricidade. Para se ter uma ideia, entre setembro e março, as usinas geram um excedente de biomassa que coincide com períodos em que outras regiões podem enfrentar secas, tornando o nosso estado um ‘pulmão energético’ estratégico para o Nordeste”, concluiu.

AVANÇOS NO ESTADO

O primeiro painel do evento, intitulado “Política energética, regulação e o papel dos entes públicos”, contou com a participação do professor associado do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), Daniel Carneiro, e da diretora-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (Arsal), Camila Ferraz, com mediação do jornalista Marcos Rodrigues.

Na ocasião, os especialistas analisaram o cenário atual da energia no Brasil e os desafios para garantir crescimento econômico com segurança e sustentabilidade. Camila Ferraz destacou os avanços do estado na regulamentação, principalmente no setor de gás. Segundo ela, o trabalho desenvolvido ao longo de dois anos colocou Alagoas em posição de destaque no país.

Já o professor Daniel Carneiro chamou a atenção para o momento de transição vivido pelo setor elétrico brasileiro. Ele destacou que, após décadas de mudanças estruturais – como a abertura do mercado, a criação de leilões e o incentivo às fontes renováveis –, o país enfrenta novos desafios que exigem atualização do modelo atual.

CONTRATAÇÃO DE TERMELÉTRICAS

O segundo painel do dia, com o tema “Alagoas no mapa da energia: potencial e políticas públicas”, foi formado pelo superintendente de Políticas Energéticas da Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços de Alagoas (Sedics), Bruno Macêdo; pela advogada, economista e deputada estadual Fátima Canuto e pelo gerente comercial da empresa Gás Alagoas S.A. (Algás), Fábio Sousa.

A contratação de 12 termelétricas a gás natural em Alagoas, com destaque para o município do Pilar, foi o principal ponto levantado pela deputada estadual Fátima Canuto durante o painel. Ao abordar o assunto, a parlamentar ressaltou que o resultado do leilão recente confirma o potencial do estado e, especialmente, do município da Região Metropolitana, como polo estratégico do gás natural.

“Pilar foi contemplado e isso mostra que estamos no caminho certo. O município já é conhecido pela reserva de gás e agora se consolida como eixo desse novo momento energético”, afirmou.

Do terceiro e último painel do Gazeta Summit, que tratou sobre “Inovação, investimentos e mercado: oportunidades reais no setor energético”, participaram o engenheiro, professor aposentado da Ufal e consultor em gestão energética, Geoberto Espírito Santo; o gerente de Desenvolvimento de Negócios da Veolia em Alagoas, José Vicente Machado Neto, e o gerente de regulação da Equatorial Alagoas, Tibúrcio Gurgel.

O debate discutiu a forma como a energia chega até a casa do consumidor, que está prestes a mudar e impactar diretamente o bolso das famílias.

Para o professor Geoberto Espírito Santo, o momento atual vai além de uma simples transição energética. Segundo ele, o que ocorre é uma substituição de fontes, com impacto direto nos custos.

“O que vemos hoje é uma conta cada vez mais alta. Por isso, se fala em transição energética justa, porque o consumidor já não suporta novos aumentos”, destacou.

Nesse novo cenário, o consumidor poderá escolher de quem comprar energia – um modelo já comparado à “uberização” do setor.

Durante o painel, José Vicente apresentou as oportunidades reais de investimento, com foco em soluções sustentáveis. Ele destacou que a integração entre energia, água e gestão de resíduos tem potencial para transformar o setor industrial.

Já Tibúrcio Gurgel destacou que o setor deixou de ser linear e passou a operar com múltiplos fluxos, impulsionados pela geração distribuída, veículos elétricos e novas tecnologias. Ele também ressaltou os investimentos realizados pela concessionária no estado, que somam cerca de R$ 2,7 bilhões, além da ampliação da rede elétrica e melhoria nos indicadores de fornecimento.

Esta foi a sétima edição do Gazeta Summit, evento que já se consolidou como um espaço de articulação entre diferentes setores. Em versões anteriores, os temas discutidos foram Mobilidade Urbana; Primeira Infância; Água; Mulher; Indústria, Comércio e Serviços, e Segurança Pública.

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