ALIMENTOS
Cesta básica sobe pelo quarto mês seguido e acumula alta de 10,7%
Taxa supera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo do período, que mede a inflação oficial do Brasil, aponta Dieese
O valor da cesta básica vendida na capital alagoana chegou ao quarto mês seguido de alta e acumula 10,73% no primeiro quadrimestre, segundo levantamento divulgado nessa segunda-feira (11), pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) junto com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O índice supera os 2,36% acumulados de janeiro a abril do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Brasil.
Depois de ter atingido alta de 6,76% em março, o preço do conjunto de alimentos desacelerou para 1,27% em abril. No mês passado, o consumidor de Maceió desembolsou R$ 652,94 para comprar os alimentos básicos.
O valor é o terceiro mais baixo do País. Nessa base de comparação, Aracaju apresentou o menor valor, com R$ 619,31, seguido de São Luís (R$ 639,24).
Em abril, os gastos com a cesta básica consumiram 43,55% do salário mínimo, fixado em R$ 1.621. Com isso, o alagoano precisou trabalhar 88h37 minutos para adquirir o kit básico de alimentos.
Segundo o Dieese, nove dos 12 produtos que compõem a cesta básica vendida em Maceió tiveram aumento nos preços médios: feijão carioca (6,79%), leite integral (6,14%), tomate (3,14%), óleo de soja (2,72%), farinha de mandioca (1,35%), banana (1,15%), açúcar cristal (0,84%), pão francês (0,13%) e manteiga (0,13%).
No acumulado dos últimos 12 meses, foram registradas elevações em sete dos 12 produtos, com destaque para o feijão carioca (33,28%), tomate (12,89%), carne bovina de primeira (7,45%) e óleo de soja (4,57%).
Em todo o País, o custo da cesta básica subiu em todas as capitais e também no Distrito Federal no mês de abril. As maiores elevações foram identificadas em Porto Velho, onde a variação média foi de 5,60%, seguida por Fortaleza (5,46%), Cuiabá (4,97%), Boa Vista (4,36%), Rio Branco (4,05%) e Teresina (4,02%).
No acumulado do ano, todas as capitais registraram alta no preço médio da cesta básica, com taxas que oscilaram entre 1,56%, em São Luís, e 14,80%, em Aracaju.
Um dos principais responsáveis pelo aumento no custo da cesta foi o leite integral, que aumentou em todas as capitais analisadas. A maior alta foi registrada em Teresina, onde a variação média chegou a 15,70%. Segundo a pesquisa, isso ocorreu pela redução da oferta no campo devido à entressafra, o que elevou o preço dos derivados lácteos.
O preço do feijão, por sua vez, teve alta em 26 capitais brasileiras, com exceção de Vitória, onde não variou. Outro produto que pesou no valor da cesta foi o tomate, que apresentou alta em 25 cidades, com quedas no Rio de Janeiro e Belo Horizonte e alta expressiva de 25% em Fortaleza.
Já o pão francês, o café em pó e a carne bovina de primeira tiveram alta em 22 das 27 cidades analisadas.
Mais uma vez, a cesta básica mais cara do país foi a de São Paulo, onde o custo médio em abril foi R$ 906,14. Em seguida estavam as cestas de Cuiabá (R$ 880,06), Rio de Janeiro (R$ 879,03) e Florianópolis (R$ 847,26).
SALÁRIO NECESSÁRIO
Com base na cesta mais cara do país, que em abril foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário-mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o salário mínimo em dezembro deveria ser de R$ 7.612,49 ou 4,70 vezes o mínimo de R$ 1.621 vigente.