BENEFÍCIOS
AL: mais de 40% dos lares receberam dinheiro de programas sociais em 2025
Estado é o quarto do Brasil com maior número de pessoas beneficiados com transferências de renda
Alagoas ocupa a quarta posição no País com maior presença de programas sociais – um total de 41,7% ou 477 mil dos domicílios alagoanos – contemplados com iniciativas como o Bolsa Família e o BPC-Loas (Benefício de Prestação Continuada), atrás apenas do Pará (46,1%), Maranhão (45,6%) e Piauí (45,3%), segundo dados relativos a 2025, extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE.
“A gente percebe que isso é uma questão regionalista de muito tempo. Os estados do Norte e do Nordeste sempre estão entre os mais assistidos em relação a questão da assistência social. Isso traz um impacto negativo a longo prazo para a formalidade do emprego e gera uma carga de arrecadação tributária elevada para o Estado, uma vez que as pessoas dependem dessa ajuda e acabam não participando diretamente do crescimento econômico por não terem trabalhos formais”, explica o sociólogo Marcos Victor.
O Bolsa Família está presente em 32,8% dos lares alagoanos; o BPC em 9,2% e outros programas em 9%. A proporção alagoana ficou quase o dobro da média do Brasil, que foi de 22,7%. “Temos 660 mil pessoas que estão ocupadas que têm uma atividade econômica, mas estão na informalidade, ou seja, renda baixa. Nós temos 300 mil pessoas que estão desempregadas ou desalentadas que não têm ou têm renda muito baixa”, explica o economista Cícero Péricles.
Os números da Pnad são reflexo da dependência de programas sociais em Alagoas. “Não basta ter saúde pública, não basta ter educação pública também, tem que ter renda, tem que ter políticas habitacionais, mas principalmente a economia tem que crescer para gerar empregos de qualidade, que tenham salários compatíveis com as necessidades das famílias para que esse processo seja amenizado e seja definitivamente resolvido”, analisa.
Em Alagoas, a proporção de domicílios que recebiam algum programa social do governo atingiu o maior patamar da série histórica da Pnad em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, quando chegou a 50,1% dos lares do estado.
Após esse pico, o percentual passou a recuar nos anos seguintes, caindo para 45,7% em 2021, 41,2% em 2022 e 41,1% em 2023. A partir daí, entretanto, o indicador voltou a crescer, alcançando 41,3% em 2024 e 41,7% em 2025, maior percentual registrado desde o período pós-pandemia.
De acordo com o Pnad, o peso dos programas sociais também aparece na composição da renda. Em Alagoas, eles representaram 10% do rendimento médio mensal real domiciliar per capita em 2025, percentual acima do observado no Brasil (3,5%) e no Nordeste (8,8%).