Economia
Exportadores sofrem com escassez de financiamento
São Paulo - A escassez de financiamento está batendo na porta dos exportadores e ameaça anular o efeito dólar. Com o aumento da instabilidade no País, os bancos estrangeiros reduziram as linhas de crédito para o Brasil e as instituições nacionais, por sua vez, precisaram diminuir drasticamente a oferta de crédito para as empresas. O Linifício Leslie, que exporta 50% de sua produção de tecidos de linho, está entre as empresas que desistiram de procurar Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACCs) para financiar sua produção. ?Fiz uma pesquisa nesta semana e só um banco tinha, mesmo assim cobrando 18% de juros?, conta Afonso Escobar, diretor-financeiro da empresa. ?Só quem está em situação muito crítica, sem capital de giro, vai se financiar assim?. Também o Proex A falta de financiamento pode levar a empresa a reduzir o ritmo em alguns meses. O Linifício vem recebendo um número crescente de pedidos da União Européia, por causa da desvalorização do real e também do fortalecimento do euro. Mas Escobar não sabe se vai dar conta deste aumento de demanda se o aperto no crédito persistir. ?Nós estamos relativamente capitalizados e conseguimos nos autofinanciar por dois meses, depois disso teremos de procurar outras opções?, diz. ?O problema é que o crédito do BNDES demora e aqui dentro do País o financiamento está muito caro?. Em abril, ele fechou operações de ACC a 9% de juros e no fim de junho, a 14%. Segundo empresários, os recursos do Proex também estão muito difíceis de se conseguir, por causa do aumento na procura. Segundo José Augusto de Castro, diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as pequenas e médias empresas exportadoras são as que estão sofrendo mais.