Economia
D�lar fecha semana de turbul�ncias a R$ 3,01
São Paulo - O dólar encerrou ontem uma semana de turbulências no mesmo ponto em que começou: valendo R$ 3,01 para venda e R$ 3 para compra, enquanto o risco-país brasileiro operou estável, a 2.061 pontos. A palavra de ordem é cautela, tanto em relação a novas pesquisas eleitorais quanto em relação à possibilidade de um novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Brasil. Na sexta-feira da semana passada, a moeda registrou seu primeiro fechamento acima de R$ 3, a R$ 3,015. Depois, acumulou entre segunda e quarta-feira uma histórica escalada de 15%, desvalorizou 9,22% anteontem e ontem caiu mais 4,44%. Pesquisa e FMI O dia começou ontem pressionado pela compra de moeda por importadores que precisavam fechar negócios e aproveitaram a queda de quinta-feira. Mas logo o otimismo com a forte possibilidade de um novo empréstimo do FMI ao país voltou a dar o tom. No final da manhã, a divulgação da pesquisa eleitoral da Toledo & Associados, que mostrou um empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS), causou certo pânico nos negócios, mas o efeito negativo não durou muito. O levantamento, encomendado pela ?IstoÉ?, surpreendeu o mercado com o empate. Os candidatos teriam, respectivamente, 34,3% e 33,6% dos votos (a margem de erro é de 1,8 ponto). O governista José Serra teria 13,8% das preferências. O Banco Central também ajudou para a queda da cotação da moeda norte-americana. No final da tarde, o BC confirmou que atuou no mercado à vista de câmbio vendendo dólares para instituições credenciadas (?dealers?) a fim de diminuir a pressão sobre a cotação. A autoridade monetária anunciou na última terça-feira que manterá em agosto as intervenções diárias no câmbio, vendendo diariamente ao mercado à vista US$ 50 milhões. Para essas operações estão disponíveis US$ 1,1 bilhão, além de US$ 735 milhões em linhas externas que serão roladas. O mercado também ficou livre de uma pressão adicional, sentida já nesta semana: a disputa dos investidores para influenciar a formação da Ptax (preço médio do dólar medido diariamente pelo BC). A Ptax de quarta serviu de referência para liquidar os contratos de câmbio de agosto que venceram na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Bolsa em alta A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta de 0,95% a 9.852 pontos, após negociar R$ 598 milhões. A alta é atribuída à recuperação das ações dos bancos depois de sucessivas quedas. As ações dos bancos saem do ?inferno astral?. Os papéis foram vítimas da desconfiança dos investidores estrangeiros, que se diziam ?preocupados? com o estoque de títulos públicos das instituições nacionais em caso de um eventual calote na dívida pública. As preferenciais do Itaú tiveram valorização de 8,1% no pregão de hoje. As também preferenciais do Itaú S.A. subiram 7,6%. As maiores quedas foram registradas pela Net PN (-11,4%), Tele Leste Celular PN (-4,8%) e as preferenciais A da Vale (-4,4%).