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PIX É DO BRASIL

Lula reage a tarifaço dos EUA e sobe tom contra Bolsonaros

Aliados acusam Flávio Bolsonaro de estimular ações de Donald Trump contra o País

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Lula: “Filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele”
Lula: “Filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele” | Foto: — Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu, nessa terça-feira (2), à conclusão da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que propõe taxar em 25% as importações brasileiras, como punição às práticas consideradas “desleais”. Durante discurso, o petista criticou declarações feitas pelos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“No dia que ele taxou, eu vou dizer o que fizeram os meninos do Bolsonaro. Os meninos do Bolsonaro, um deles, o que é candidato a presidente, disse, no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos a Magnitsky'”, declarou.

Ele prosseguiu: “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. […] São traidores. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, meditem”.

Na proposta, o governo norte-americano faz uma série de críticas ao sistema de pagamento instantâneo brasileiro, o Pix, e ao Banco Central, entre outros pontos. Agora, o resultado da investigação será submetido a audiências públicas — a primeira está marcada para 6 de julho. A decisão final sobre a adoção do tarifaço caberá ao presidente dos EUA.

Nas redes sociais, aliados de Lula voltaram a usar o mote “o Pix é do Brasil” e passaram a acusar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de estimular ações do governo Trump contra o país.

Flávio se reuniu com Trump na Casa Branca na semana passada, dois dias antes de o governo norte-americano anunciar que classificará as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

“PIX DESLEAL”

De acordo com o relatório final do USTR, seis áreas prioritárias foram alvo de críticas: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.

A investigação concluiu que determinados atos, políticas e práticas do Brasil são “irracionais ou discriminatórios” e oneram ou restringem o comércio dos EUA, podendo, portanto, ser alvo de medidas. Para isso, o governo norte-americano se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O documento aponta que o Pix cria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital. Segundo o relatório, o Brasil discriminaria fornecedores norte-americanos ao conceder benefícios como maior disponibilidade, visibilidade e limites de tarifas ao sistema nacional. “É injusto exigir que concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de taxas”, afirma trecho do texto.

O relatório também reconhece a rápida adoção do Pix pela população e pelo comércio desde seu lançamento, destacando a redução de custos de transação e a ampliação da inclusão financeira. Ainda assim, dedica parte substancial à análise de possíveis assimetrias competitivas regulatórias.

A principal crítica é o fato de o Pix ser um sistema estatal e centralizado, o que, segundo o USTR, pode limitar a atuação de soluções privadas internacionais no país.

A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Donald Trump. O prazo legal para definição e eventual implementação das medidas termina em 15 de julho deste ano.

Um grupo de trabalho bilateral, criado após reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, em 7 de maio, previa encerrar as negociações até a próxima sexta-feira (5), mas não houve avanços suficientes.

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