Economia
A multiplica��o dos peixes e da renda
Porto Real do Colégio, AL ? Quando era vigilante de agência bancária, no fim dos anos 70, e recebia por mês apenas um salário mínimo, Antônio Santos, o ?Inha?, não imaginava o que o futuro lhe reservava. No fundo, ele nutria o desejo de ganhar a vida com a agricultura, que considerava ser sua vocação. Tomou coragem, pediu as contas e investiu em um pedaço de terra. Nativo da região antes encharcada pelas enchentes naturais, como todo ribeirinho, ele sentiu na pele o impacto da construção de barragens rio acima do ?Velho Chico?. Viu o peixe desaparecer e o solo secar. A redenção acabou vindo da água. Ao visitar um amigo que havia abraçado a atividade, Antônio Santos entendeu que a criação de peixes poderia significar o seu caminho como produtor e empreendedor. Apostou na piscicultura e não se arrependeu. Hoje, ele produz oito toneladas de peixe por ano e movimenta cerca de R$ 30 mil, dos quais R$ 15 mil lhes chegam líquidos à mão. ### Produção deve chegar a 15 milhões de alevinos Porto Real do Colégio, AL ? Antes, Augusto Dantas Lima, o ?seu Augustinho?, 66 anos, subia o ?Velho Chico? para ir pescar na região de Pão de Açúcar. Hoje, ele vê a multiplicação dos peixes a poucos metros da varanda de sua casa, nos viveiros onde as tilápias e tambaquis crescem, engordam e são levados à comercialização no mercado local. Pescador antigo, ribeirinho nato, ele sabe que o tempo de fartura das águas do São Francisco já passou. ?Antes a gente encontrava muitas espécies de peixe. Tinha a enchente do rio e isso aí ficava cheio de peixe. Mas é muito difícil garantir a pesca no rio?, diz seu Augustinho. ### Piscicultura atrai investidores de outros Estados Porto Real do Colégio, AL ? Repleta de várzeas planas e inundáveis, com temperatura e relevo propícios à atividade, a região do Baixo São Francisco, entre os Estados de Alagoas e Sergipe, reúne todas as condições para a criação de peixes tropicais. Não é à toa que a região vem atraindo o interesse de investidores da área de piscicultura de outros Estados. Ao visitar o Ceraqua, em Porto Real do Colégio, na última semana, a Gazeta pôde presenciar a visita de um representante do Projeto Pacu, uma das maiores empresas de piscicultura da América Latina, famosa pela alta tecnologia usada na produção e reprodução de peixes nativos, como o surubim. ?Estamos em fase de prospecção e buscamos um local para instalar um núcleo da nossa empresa em Alagoas. A região é prefeita, a temperatura é ideal para a produção de peixes?, explicou Antônio Sérgio Rosa, representante do Projeto Pacu. ### Governo investiu R$ 8 mi no Ceraqua O Centro de Referência de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Alagoas (Ceraqua), da Codevasf, possui quase trinta trabalhos de pesquisa realizados ou em fase de conclusão. Os levantamentos envolvem a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e devem influenciar diretamente no melhoramento da cadeia produtiva do pescado em Alagoas. Já são R$ 8 milhões investidos pelo governo federal para fazer do Ceraqua um dos centros mais modernos, tecnológicos e científicos do Brasil. Os recursos são provenientes da Codevasf e do Ministério da Pesca e Aquicultura, e fazem parte das verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Uma vez pronto, o Ceraqua será fundamental para dar suporte ao polo de aquicultura que começa a ganhar força, na região do Baixo São Francisco. ///