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COMÉRCIO EXTERIOR

Governo rebate ameaça dos EUA e fala em reciprocidade

Presidente associa ofensiva comercial dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro

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Donald Trump fez diversos movimentos para aumentar tarifas
Donald Trump fez diversos movimentos para aumentar tarifas | Foto: Divulgação

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como protecionista e unilateral a nova ameaça de tarifa contra produtos brasileiros feita pelos Estados Unidos, liderados por Donald Trump. Em nota divulgada nessa quarta-feira (3), o governo brasileiro também mencionou a possibilidade de recorrer à reciprocidade, e disse ter a expectativa de que a proposta de novas tarifas não seja efetivada.

"É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais", afirma a nota do governo brasileiro.

"O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional", afirma o texto.

O governo brasileiro também diz ser "um absurdo" associar a competitividade da economia do país a violações da dignidade humana. "A Organização Internacional do Trabalho reconhece há décadas o Brasil como referência internacional no combate ao trabalho forçado", diz a nota da gestão Lula.

Na terça-feira (2), quando respondia à primeira ameaça de tarifas da semana, o governo brasileiro também mencionou que pode recorrer a medidas de reciprocidade.

Desde que tomou posse em seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump fez diversos movimentos para aumentar tarifas de importação de produtos de diferentes países.

No Brasil, essas medidas se tornaram também um assunto de política interna por causa do alinhamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de sua família a Trump. No primeiro tarifaço, em 2025, as autoridades americanas mencionaram como motivo "ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos" e citou o processo que, meses depois, condenaria Bolsonaro a prisão.

As novas ameaças de tarifa vêm poucos dias depois de o filho mais velho de Bolsonaro, o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ter reuniões com Trump e outras autoridades americanas. Além disso, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos, onde tenta jogar o governo americano contra a gestão Lula.

O petista tem buscado usar o alinhamento da família Bolsonaro com Trump como forma de desgastar seus adversários políticos. Em reunião nesta quarta, Lula instruiu seus principais auxiliares a reproduzir a interpretação de que Flávio e seu grupo traem o país.

Flávio Bolsonaro deverá ser o principal adversário de Lula na eleição de outubro deste ano, quando ele tentará obter mais um mandato como presidente da República.

As críticas aos Bolsonaros fazem parte também da manifestação oficial divulgada pelo governo na terça-feira.

"Essa investigação [que culminou na proposta de novas tarifas] teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington", afirma a nota.

A mais recente pesquisa Datafolha mostrou Lula numericamente à frente nas intenções de voto para segundo turno, mas empatado no limite da margem de erro com Flávio Bolsonaro. O petista tem 47% contra 43% do filho de Jair Bolsonaro.

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