NO VERMELHO
Alagoas tem 64,3 mil empresas negativadas, segundo pesquisa
Juntas, as companhias acumulam dívidas de R$ 741,1 milhões; apesar disso, o Estado é um dos têm menores registros do País
Os desafios enfrentados pelas empresas brasileiras para equilibrar as contas continuam refletindo nos indicadores de inadimplência. Em Alagoas, 64.335 empresas estavam com débitos em atraso em abril de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. Juntas, elas acumulavam 259.699 dívidas negativadas, que somavam aproximadamente R$ 754 milhões.
Embora o montante das dívidas seja expressivo, a posição de Alagoas no cenário nordestino indica uma realidade relativamente mais favorável. O estado figura entre aqueles com menor número de empresas inadimplentes da região, contrastando com mercados de maior porte, como Bahia, Pernambuco e Ceará. A Bahia concentra o maior contingente de CNPJs negativados, com 326.255 registros, seguida por Pernambuco, com 212.110, e Ceará, com 190.849.
Os dados sugerem que, apesar dos desafios enfrentados pelo setor produtivo alagoano, o nível de inadimplência empresarial permanece abaixo do observado nos principais polos econômicos do Nordeste.
Ainda assim, os dados evidenciam que uma parcela significativa do setor produtivo alagoano enfrenta dificuldades para manter a saúde financeira dos negócios. Em média, cada empresa inadimplente acumulava quatro contas em atraso. O valor médio da dívida por CNPJ chegou a R$ 11.722,73, enquanto o ticket médio (valor médio de cada débito negativado) das pendências foi calculado em R$ 2.904,06.
O cenário regional também merece atenção. Em todo o Nordeste, foram registradas 1.184.732 empresas inadimplentes durante o mês de abril. Ao todo, mais de 6,2 milhões de dívidas negativadas somaram R$ 18,6 bilhões. O volume expressivo reforça os desafios enfrentados pelo ambiente de negócios em uma região historicamente mais vulnerável às oscilações econômicas e às restrições de crédito.
Outro dado relevante é a concentração da inadimplência no setor de serviços. O segmento respondeu por 55,6% das empresas negativadas na região, seguido pelo comércio, com 32,4%. A indústria representou 8,1% dos registros, enquanto o setor primário respondeu por apenas 0,9%.
Especialistas apontam que a combinação entre custos operacionais elevados, crédito mais caro e consumo ainda moderado ajuda a explicar o aumento das dificuldades financeiras enfrentadas por parte das empresas. Negócios de pequeno e médio porte costumam ser os mais sensíveis a esse ambiente, especialmente aqueles com menor capacidade de capitalização e dependência direta do mercado interno.
Apesar dos números elevados, o posicionamento de Alagoas entre os estados com menor quantidade de empresas inadimplentes pode ser interpretado como um sinal de relativa resiliência da economia local. O dado, entretanto, não elimina a necessidade de atenção. A inadimplência empresarial afeta a capacidade de investimento, restringe o acesso ao crédito e pode comprometer a geração de empregos, elementos fundamentais para a sustentação do crescimento econômico.
Mais do que um retrato momentâneo, os indicadores funcionam como termômetro da atividade econômica. A evolução desses números nos próximos meses ajudará a medir a capacidade de recuperação financeira das empresas e a força do ambiente de negócios em Alagoas e no Nordeste.