Economia
Estado n�o ter� termel�trica
Anunciada como o maior feito político do século, a termelétrica de Alagoas é mais um engodo ? o Estado não vai instalar a usina, porque terá de mandar, no mínimo, 400 mil metros cúbicos de gás por dia para Pernambuco. É que a termelétrica anunciada para o município de Messias, a 40 quilômetros de Maceió, será instalada no município pernambucano de Ipojuca, a 50 quilômetros de Recife. Como Pernambuco não produz gás, a matéria-prima terá de ser fornecida por Alagoas. Um dos engenheiros da Petrobras, ouvido pela GAZETA, disse em off que o anúncio da termelétrica em Alagoas foi uma irresponsabilidade política, mas só os incautos acreditaram. ?Logo após o anúncio, eu conversei com um professor da Universidade Federal de Alagoas, que desejava saber o que nós iríamos fazer com o gasoduto. Tive de dizer a verdade a esse professor?. O blefe O gasoduto para Recife foi construído em tempo recorde. Em 1998, já estava pronto, medindo cerca de 150 quilômetros até o Distrito Industrial do Cabo, na Região Metropolitana do Recife. De lá, através de um tronco de 30 quilômetros em linha reta, chega a Ipojuca, na região litorânea de Pernambuco, onde está sendo construída a termelétrica pernambucana. ?O único impasse para a termelétrica de Pernambuco é ambiental, porque o Ministério Público pernambucano denunciou o desmatamento de uma reserva de Mata Atlântica para implantação da usina. No resto, está tudo dentro do cronograma?, disse o engenheiro. A termelétrica de Pernambuco vai gerar 400 MW (megawatts) de energia, consumindo gás do Rio Grande do Norte, que também chegará através de gasoduto direto de Mossoró-RN, de Alagoas e importado das jazidas da Shell na África. ?Para produzir 120 megawatts de energia térmica, são necessários 800 mil metros cúbicos de gás. Esse volume inviabilizou a termelétrica de Alagoas?, denunciou o engenheiro.