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Situa��o da Embratel � insustent�vel, diz Barros

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EDIVALDO JUNIOR Nas últimas semanas, o mercado financeiro mundial foi abalado pela notícias de falsificações em relatórios contábeis de gigantes da economia mundial. Poucas pessoas se dão conta, mas a quebradeira de empresas norte-americanas pode trazer efeitos negativos e afetar direta e indiretamente a vida dos brasileiros. Alguns setores, em especial, deverão ser atingidos com maior força pela crise, a exemplo dos serviços de telefonia. É o caso da concordata da Worldcom, gigante das telecomunicações mundiais e controladora da Embratel. A homologação da concordata desta empresa, adverte o engenheiro Marcelo Barros, um dos mais experientes profissionais do setor no País, pode comprometer o processo de privatização do Sistema Telebrás. ?Com a concordata da Worldcom, o que vai haver é um processo dominó de falências e concordatas de seus credores. Com certeza a Embratel vai ser afetada, principalmente porque sua saúde financeira já vinha abalada com o prejuízo acumulado no primeiro semestre deste ano, de 189 milhões de reais. Com a entrada em operação das concorrentes de longa distância ? Telemar e Telefônica ? a situação da Embratel ficará insustentável?, analisou. Canibalismo Na avaliação de Barros, o modelo brasileiro de privatização das telecomunicações, por si só já enfrentava dificuldades, agora agravadas com a crise mundial. Algumas experiências nacionais, a exemplo das empresas-espelho na telefonia fixa podem fracassar. ?A idéia de que em cada Estado deve haver duas ou mais empresas operando o mesmo serviço, é o caso das empresas- espelho, é utópica. Não funcionou nem vai funcionar. Com o modelo implantado, não existe espaço para tantas empresas. O que vai acontecer é um processo de canibalismo, pelo qual as grandes empresas irão absorver as pequenas, deixando ao fim, o usuário sem opção?, lamentou. Outra crítica de Barros é a antecipação das metas de universalização, medida que considera antieconômica. ?Como resultado temos um grande número de linhas desativadas ? há quem fale de 10 milhões de telefones na prateleira ? além de provocar uma inadimplência recorde. Por outro lado, as tarifas telefônicas, por força dos contratos de privatização, subiram bem acima da inflação, o que fez com que o usuário pagasse hoje, muito mais pelos serviços telefônicos do que à época em que o serviço era estatal?, ponderou. Privatização reduziu empregos no setor Promessa de geração de milhares de empregos e desenvolvimento de tecnologia nacional no setor, a privatização das telecomunicações é hoje bem diferente do que se imaginava: o número de empregos foi reduzido drasticamente e a pesquisa praticamente desapareceu. Na avaliação de Marcelo Barros, com a privatização, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Telebrás ? o CPQD de Campinas/SP, ficou fora do contexto e perdeu sua razão de existir. ?Hoje, o CPQD não desempenha mais seu papel de pesquisa, que levou à criação da Central Telefônica Digital e da fibra ótica brasileira. Muitos de seus laboratórios foram fechados e a instituição dificilmente terá condições de produzir a tecnologia de ponta que a tornou conhecida e respeitada em todo o mundo?, reclama. Um dos mais fortes argumentos do governo para justificar o modelo de privatização era que, em um ano, o número de empregos do setor alcançaria 100 mil novos postos. Ao tempo da Telebrás, recorda Barros, eram 85 mil empregados. Em Alagoas, exemplo, a concessionária local tinha 976 funcionários. ?O que se viu, na realidade, foi um processo de demissão em massa, com a diminuição drástica dos quadros das empresas em cada Estado. Os postos de atendimento foram fechados e o assinante tem de se conformar em recorrer aos famigerados ?Call Centers? para resolver seus problemas com a empresa?, lamenta. Para diminuir os efeitos negativos da privatização, Marcelo Barros recomenda consciência ao povo brasileiro. ?Cabe a nós, em primeiro lugar, escolher bem nossos governantes e exigir deles ? principalmente dos governos estaduais ? uma posição firme em defesa da eficácia dos serviços públicos. O Estado tem obrigação de cobrar das empresas de serviços públicos um atendimento ao usuário, pelo menos igual ao que era prestado enquanto o serviço era estatal. Precisamos ficar alertas, para evitar a todo custo que se implante o monopólio privado?, adverte.

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