CONSUMO
Combustível: oscilação de preço surpreende consumidores de Maceió
Empresários da capital alegam que a variação de valores é consequência da guerra no Oriente e da instabilidade política
O preço do combustível nos postos de Maceió se tornou assunto recorrente e de grande incômodo devido as altas oscilações em curtos períodos de tempo que vêm pegando desde empresários até consumidores desprevenidos.
O assunto é abordado frequentemente por quem costuma abastecer o veículo. O jornalista Thiago Gomes afirma que vem percebendo frequentes oscilações nos preços dos combustíveis na capital alagoana, principalmente na parte alta da cidade.
“Praticamente toda semana, a gasolina e o etanol aparecem com valores diferentes, ora subindo, ora caindo. Eu costumo abastecer com etanol porque acredito que o desempenho do meu veículo fica melhor, mas essa variação constante acaba atrapalhando”, afirma.
Neste mês, a média do litro da gasolina está em torno de R$ 6,79, enquanto o litro do etanol está na faixa de R$ 5,18. Em maio, a gasolina teve a média de R$ 6,36 por litro, e o etanol, de R$ 4,85 por litro. A volatilidade é exposta nesses meses vizinhos, com a gasolina alcançando a marca de R$ 6,99 o litro.
O empresário Jarlan Marques, dono de um posto de combustível no Graciliano Ramos, afirma que os principais fatores que influenciam o preço da gasolina e do etanol são as guerras e a instabilidade política.
“As distribuidoras também não têm um prazo nem datas definidas para alteração de preço. O que manda é o mercado internacional e as notícias quando são especuladas”, ressalta.
Ainda de acordo com ele, empresários do ramo até tentam prever quando o valor do produto vai subir ou descer por meio das cotações do barril de petróleo no mercado internacional. No entanto, é mera especulação, pois a gasolina vendida no Brasil é composta por 70% de gasolina e 30% de etanol.
Os preços, contudo, ficam primeiramente à margem das distribuidoras até que o combustível seja recebido pelo posto, onde adaptam o valor final conforme foi pago pelo produto.
Com a constante periodicidade de altas e baixas, até para os empresários do ramo é difícil prever quando o valor repassado ao consumidor será maior ou menor. Segundo Jarlan, dois fatores são cruciais para esta decisão: o valor da compra e o estoque de combustível no posto.
“Com relação ao aumento no repasse, quando a distribuidora mexe, nem sempre é repassado de imediato”, esclarece, reforçando que, contanto que ainda tenha estoque — em caso de ter comprado em baixa —, o preço mais baixo permanece até que seja reposto.
Em alguns postos, a oscilação é maior devido à falta de bandeira — a marca da distribuidora que ele exibe —, o que dá mais liberdade para comprar de outras fontes.
“Quando o posto não ostenta nenhuma bandeira, acaba tendo interferência muito maior da distribuidora, porque ele pode comprar onde quiser e onde tiver o menor preço. Ele tem uma liberdade maior de mexer no preço, porque cota o preço todos os dias e normalmente altera diariamente”, complementa.
Em nota, o Sindicato dos Combustíveis de Alagoas afirmou que não influencia na precificação dos combustíveis nos postos, destacando o regime de livre concorrência e a não interferência ou controle dos preços praticados pelos revendedores autônomos.
“O Sindicombustíveis-AL reitera que o mercado de combustíveis no Brasil opera sob o regime de livre comércio e ampla concorrência em todas as suas etapas. Dessa forma, as oscilações de preços nas bombas, sejam altas ou reduções, refletem a dinâmica natural de mercado, variando de acordo com a estrutura de custos, custos operacionais e estratégias comerciais de cada empresa.”
*Sob a supervisão da editoria.